Justiça venezuelana liberta ex-chefe da Polícia de Caracas

Iván Simonovis, preso desde 2004, foi solto por problemas de saúde e ficará em prisão domiciliar; ele voltará à cadeia após se recuperar

O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2014 | 14h46

CARACAS - O ex-chefe da Polícia de Caracas, Iván Simonovis, preso há quase uma década, recebeu na madrugada deste sábado, 20, autorização da Justiça venezuelana para cumprir temporariamente sua pena em prisão domiciliar em razão de sua condição de saúde.

Em maio, a Justiça havia negado um pedido de liberdade feito pelos advogados de Simonovis, que alegavam que ele sofria de 19 doenças, incluindo problemas graves na coluna. Na ocasião, o ex-chefe da polícia fez uma curta greve de fome.

Simonovis, de 54 anos, foi condenado a 30 anos de prisão e se tornou um símbolo da oposição ao chavismo. Sua libertação estava na pauta de negociação da coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática.

Em sua conta no Twitter, a esposa de Simonovis, Bony Pertiñez, anunciou a libertação. "Quero informar a todos que meu marido se encontra em casa, com a família. Deus é grande e misericordioso", escreveu.

Mais tarde, ela explicou para jornalistas que aguardavam na frente de sua casa que recebeu uma ligação no começo da madrugada do próprio Simonovis contando a decisão judicial. "Realmente foi um encontro surpresa. Estávamos todos dormindo e ele me ligou dizendo que haviam concordado em conceder essa medida humanitária".

A mudança no regime de detenção de Simonovis, porém, está ligada ao seu estado de saúde. No Twitter, o Supremo Tribunal de Justiça afirmou que assim que se recuperar, ele deverá voltar à prisão de Ramo Verde.

A autorização concedida ao ex-chefe da Polícia também o proíbe de dar declarações à imprensa, participar de movimentos políticos ou usar as mídias sociais. Ele será monitorado pelo Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).

Líderes da oposição venezuelana comemoraram a decisão da Justiça e prometeram intensificar os esforços para conseguir a libertação de políticos considerados por eles presos políticos, como Enzo Scarano e Daniel Ceballos, ex-prefeitos de San Diego (Carabobo) e San Cristóbal (Táchira) e Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular. "Um forte abraço e muitos cumprimentos para Iván" escreveu o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, em seu microblog.

O analista político Luis Vicente León, diretor do instituto de pesquisas Datanálisis, disse à imprensa venezuelana que a concessão de prisão domiciliar para Simonovis "era uma tarefa pendente que o governo sabia que teria que cumprir".

Para Gonzalo Himiob, advogado da ONG Foro Penal Venezuelano, a contínua deterioração do estado de saúde de Simonovis foi determinante para a decisão. "Essa questão estava escapando das mãos do governo, que queria evitar consequências fatais enquanto ele estivesse preso. Agora, passaram para a família a responsabilidade sobre sua saúde", afirmou Himio.

ONU. Para analistas, o benefício concedido para o opositor é uma tentativa do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, melhorar a imagem do país. Nesta semana, o líder tentará conquistar apoio nas Nações Unidas para Caracas ser indicada para uma vaga rotativa de dois anos no Conselho de Segurança (CS) do organismo internacional.

Apesar de ter o apoio dos países latinos, grupos de defesa dos direitos humanos e membros da oposição venezuelana argumentam que a postura de Maduro em relação aos manifestantes contrários ao seu governo, além da prisão de desafetos políticos violam o propósito do conselho de defender os direitos humanos. / AFP, AP, EFE e NYT

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