AP Photo/Eraldo Peres
AP Photo/Eraldo Peres

Justiça venezuelana proíbe Capriles e mais sete opositores de deixar o país

Eles estão perdendo seu tempo mais uma vez, reage o líder da MUD

O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2016 | 19h47

Líderes da oposição da Venezuela disseram ontem que foram proibidos de sair do país, o que aumentou a revolta causada pela suspensão da próxima etapa de um referendo revogatório do impopular presidente socialista, Nicolás Maduro. Várias figuras da oposição publicaram um documento supostamente emitido por um tribunal da cidade de Valencia ordenando oito pessoas, entre elas o porta-voz da Mesa de Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, e o duas vezes candidato presidencial Henrique Capriles a permanecerem na Venezuela.

“Eles estão perdendo seu tempo mais uma vez. Esperem para ouvir o que temos a dizer nas próximas horas”, tuitou Capriles, que vem liderando a campanha que pede um plebiscito contra Maduro. “É uma agressão gratuita”, acrescentou Torrealba. “Somos a maioria, nas ruas e no Congresso.

Porta-vozes do judiciário e do governo não responderam de imediato a pedidos de comentário. O suposto documento incluiu oito nomes e não apresentou motivos para a proibição, mas pode estar relacionado com alegações governamentais segundo as quais a oposição praticou fraudes em uma etapa inicial de coleta de assinaturas neste ano para dar início ao processo do referendo.

Esta foi a razão de a autoridade eleitoral da Venezuela ter suspendido a próxima fase, marcada para a semana que vem --a coleta de 4 milhões de assinatura para desencadear o plebiscito--, citando ordens judiciais.

Repercussão. No front diplomática, a decisão chavista foi alvo de críticas dos Estados Unidos e da Organização dos Estados Americanos (OEA). O departamento de Estado declarou que a medida bloqueou um importante direito constitucional dos cidadãos do país.

“Estamos profundamente preocupados pela decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela de deter o referendo revogatório. Achamos que, com isto, o CNE evita que o povo venezuelano exerça um importante direito constitucional", disse em entrevista coletiva diária o porta-voz do Departamento de Estado, John Kirby. O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, disse nesta sexta-feira, em Miami, que chegou a hora de “ações concretas” na Venezuela. /EFE e REUTERS

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