Justiça venezuelana sentencia traficante por morte de jornalista

Marcano Ramos, morto em 2004, investigava ligação entre militares e cartéis que agem na fronteira da Colômbia

CARACAS, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2015 | 02h01

Um tribunal venezuelano confirmou na terça-feira a condenação a 23 anos de prisão do mandante do assassinato do jornalista Mauro Marcano Ramos, morto em 2004, no Estado de Monagas. Segundo as investigações entregues ao Ministério Público, ele foi morto a mando de um dos chefes locais do tráfico, José Ceferino García Fermín.

A sentença contra Fermín havia sido promulgada em 2012, mas só foi confirmada pelo 3.º Tribunal de Monagas há dois dias. Marcano Ramos foi morto enquanto investigava uma acusação de ligação de militares venezuelanos com os cartéis de drogas que operam na fronteira com a Colômbia.

Documentos da DEA, a agência antidrogas dos EUA, informam que os grupos de narcotráfico intensificaram o uso do território venezuelano como rota de passagem para a cocaína após o início do Plano Colômbia, em 2000.

Em dezembro, a DEA divulgou um documento que mostraria outra ligação de narcotraficantes venezuelanos e colombianos com os cartéis mexicanos. Um ex-piloto mexicano que, de acordo com os americanos, fazia a rota entre a Venezuela e o México regularmente transportando drogas que seriam vendidas nos EUA, confessou no início do mês passado o transporte de toneladas de cocaína.

A droga partiria da Venezuela e seria distribuída nos EUA após paradas para abastecimento das aeronaves.

Em uma das paradas, na Jamaica em outubro de 2003, por exemplo, policiais conseguiram apreender 311 quilos de cocaína. Um ano antes, um avião utilizado pela quadrilha sofreu uma falha mecânica quando regressava à Venezuela e precisou pousar no Panamá.

Autoridades locais desconfiaram da aeronave, revistaram-na e encontraram cerca de US$ 3 milhões em espécie - dinheiro que seria proveniente das vendas já realizadas. / F.C.

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