Kadafi aumenta controle sobre Trípoli enquanto oposição ganha força

Forças leais ao ditador tomam pontos estratégicos; manifestantes disputam cidades nos arredores

estadão.com.br,

23 de fevereiro de 2011 | 09h52

TRÍPOLI - Forças leais ao ditador líbio, Muamar Kadafi, tomaram as ruas e pontos estratégicos de Trípoli nesta quarta-feira, 23. Houve troca de tiros com manifestantes pró-democracia, que já controlam de cidades do leste do país e se aproximam da capital. A oposição disputa o domínio de Misurata e Sabratha, cidades do oeste do país próximas a Trípoli.

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De acordo com um morador de Misurata, Uma rádio local que divulgava mensagens para a oposição saiu do ar. Mensagens contra os dissidentes foram divulgadas pelo sistema de som das mesquitas da cidade, pedindo que os moradores atacassem os manifestantes. Parte da população, no entanto, saiu às ruas com bandeiras da era pré-Kadafi, em apoio à insurreição. Misurata pode se tornar a primeira cidade do oeste do país a cair nas mãos dos revoltosos.

Segundo o médico Faraj al-Misrati, ao menos seis pessoas morreram e 200 ficaram feridas na cidade desde o dia 18, quando manifestantes atacaram escritórios e prédios públicos do regime. Segundo ele, os moradores formaram comitês para defender a cidade e tratar os feridos. "A solidariedade é incrível, todos estão ajudando", disse Al-Misrati à AP.

Vídeos postados no Facebook mostram manifestantes pró-democracia agitando bandeiras pré-Kadafi também em Zawiya, na região metropolitana de Trípoli. As imagens, no entanto, não podem ser confirmadas de maneira independente.

As ameaças do ditador

Ontem, Kadafi foi à TV estatal e ameaçou os manifestantes. Disse que não havia usado a força 'ainda', mas que poderia usá-la, e prometeu tirar as cidades do leste do país do controle da oposição. Na segunda-feira, o ditador havia ordenado o uso de aviões de guerra contra os dissidentes.

Kadafi culpou a juventude líbia, a imprensa internacional, o terrorismo islâmico e os EUA pelo caos no país e afirmou que a imagem da Líbia está sendo "distorcida" perante o mundo. Vocês conhecem alguém decente que participa disso? São todos bêbados e drogados", disse, sobre os jovens que participam dos protestos.

Dissidência aumenta

Também na segunda-feira, o ministro do Interior e número dois de Kadafi, Abdul Fatah Younis, deixou o cargo e pediu que o Exército deixe de apoiar o ditador. Segundo ele, as demandas populares são legítimas.

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