Kadafi diz que Otan não conseguirá encontrá-lo

Falando com sarcasmo sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o líder líbio Muamar Kadafi afirmou hoje que sobreviveu aos recentes ataques da aliança e está "num lugar onde vocês não podem me achar". Mas seu governo acusou a Otan de ter matado 11 clérigos muçulmanos durante um ataque a uma disputada cidade produtora de petróleo no leste do país.

AE, Agência Estado

13 de maio de 2011 | 18h15

Kadafi havia aparecido na televisão, mas sua voz não tinha sido ouvida desde o ataque da Otan a seu complexo em Trípoli duas semanas atrás, que matou um de seus filhos e três netos. Numa breve gravação de áudio transmitida pela TV, Kadafi disse que queria se dirigir aos líbios preocupados com o ataque da quinta-feira contra seu complexo em Trípoli. "Eu digo aos cruzados covardes, eu vivo num lugar onde vocês não podem me encontrar".

A Otan desdenhou da declaração. "Ele não é nosso alvo, nossos alvos são apenas militares", disse a porta-voz da aliança militar, Carmen Romero, em Bruxelas. Pouco antes das declarações de Kadafi, o porta-voz de seu governo, Moussa Ibrahim, afirmou que a Otan havia atacado a cidade de Brega enquanto dezenas de imãs e funcionários de toda a Líbia se reuniam para rezar pela paz.

Ibrahim disse que 11 imãs foram mortos enquanto dormiam numa pousada e 50 pessoas ficaram feridas, dentre elas cinco em estado grave. A Otan respondeu afirmando que havia atacado um centro de comando e controle militar . "Somos muito cuidadosos na seleção de nossos alvos e aquele foi muito claramente identificado como um centro de comando", disse um funcionário da Otan no centro operacional da aliança em Nápoles (Itália).

A Otan tem intensificado seus ataques aéreos em várias áreas de Líbia contra as tropas de Kadafi, numa tentativa de enfraquecer sua campanha contra o levante rebelde. Um dos ataques mais recentes atingiu um importante complexo de Kadafi em Trípoli e mais ataques foram realizados hoje.

Estados Unidos

O governo norte-americano disse não ter informações que confirmem os relatos de que Kadafi estaria ferido, afirmou o Departamento de Estado hoje. "Há informações divulgadas por meios de comunicação dizendo que ele estaria ferido... não temos nada que confirme esses relatos", disse o porta-voz Mark Toner.

Mas a Casa Braça afirmou que os Estados Unidos e a Otan manterão suas operações militares na Líbia enquanto Kadafi continuar a atacar sua própria população. O presidente Barack Obama reuniu-se hoje com o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. Em comunicado, a Casa Branca disse que Obama e Rasmussen concordaram que a missão liderada pela Otan na Líbia salvou milhares de vidas.

Representantes do Conselho Nacional de Transição, grupo opositor a Kadafi, estão em Washington para uma reunião com altos integrantes do governo na Casa Branca. Mas Obama não deve se encontrar com os líderes opositores. Os Estados Unidos têm aumentado seu apoio financeiro à oposição, mas não reconhece o conselho como o governo legítimo da Líbia. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
LíbiaataquesKadafiOtan

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.