Mohamed Messara/Efe
Mohamed Messara/Efe

Kadafi é investigado por 'uso do estupro como arma de guerra'

TPI também analisa evidências de que soldados teriam recebido Viagra para incentivar violações sexuais

BBC Brasil, BBC

08 de junho de 2011 | 20h51

TRÍPOLI - O promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno-Ocampo, afirmou nesta quarta-feira, 8, ter evidências de que o ditador líbio Muamar Kadafi ordenou que mulheres fossem estupradas, como uma estratégia contra as forças rebeldes.

 

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Moreno-Ocampo disse ainda que está em curso uma investigação sobre possíveis evidências de que militares receberam medicamentos como Viagra para aumentar a libido durante o combate.

 

O governo líbio, que não reconhece a jurisdição do TPI, não se pronunciou sobre as acusações.

 

No mês passado, o promotor já havia emitido um mandado de prisão contra Kadafi e dois de seus colaboradores, por crimes contra a humanidade. O líder líbio seria o maior responsável, na opinião de Moreno-Ocampo, pelos ataques contra civis no país em fevereiro, quando 500 a 700 pessoas foram mortas.

 

Punição

 

Segundo o promotor, as evidências sugerem que Kadafi decidiu punir as mulheres usando o estupro como uma arma, na tentativa de que isso causasse medo e enfraquecesse a dissidência.

 

"O estupro não costuma ser usado na Líbia para controlar a população. É um novo aspecto da repressão líbia. E é por isso que tínhamos dúvidas no começo, mas agora estamos mais convencidos", disse o promotor. "Aparentemente, ele decidiu punir, usando o estupro".

 

O representante do TPI afirmou, no entanto, ser difícil identificar quantos casos ocorreram. "Em algumas áreas, cem pessoas foram estupradas. A questão para nós é: podemos atribuir esses crimes ao próprio Kadafi ou é algo com aconteceu no campo de batalhas?"

 

Moreno-Ocampo disse ainda que algumas testemunhas confirmaram que o governo estava comprando carregamentos de remédios similares ao Viagra para "aumentar a possibilidade de estupro".

 

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