'Kadafi está cometendo um genocídio', diz diplomata líbio na ONU

Representação do país pede a renúncia do coronel e quer que líder seja julgado em Haia

estadão.com.br

21 de fevereiro de 2011 | 14h55

NOVA YORK - Ibrahim Dabbashi, segundo na hierarquia diplomática da Líbia na Organização das Nações Unidas (ONU), disse nesta segunda-feira, 21, que o coronel Muamar Kadafi "declarou guerra ao povo de seu país e está cometendo genocídio". As declarações do diplomata referem-se à repressão das forças de segurança de seu país aos protestos contra o líder líbio.

 

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Dabbashi ainda pediu a renúncia de Kadafi. "O povo líbio quer se livrar dele. Se Kadafi não sair, o povo vai tirá-lo do poder. É o fim do jogo. Todo o regime está ruindo, não vai demorar para acabar".

 

O diplomata ainda pediu que a comunidade internacional imponha um bloqueio aéreo à Líbia, para que mercenários não sejam enviados ao país para engrossar a repressão. Ele também afirmou que a representação do país na ONU quer que a Corte Internacional investigue os crimes cometidos durante os protestos.

 

Funcionários do governo estão se demitindo em reprovação às atitudes de Kadafi. O ministro da Justiça, Mustafa Abdul Jalil, renunciou e se uniu aos protestos. Os embaixadores da Líbia na Índia, China, Reino Unido e Suécia deixaram seus postos.

 

Governos e órgãos internacionais também expressaram repúdio à violência usada pelas forças de segurança da Líbia para coibir os protestos contra o governo do coronel Muamar Kadafi. Mais de 230 pessoas já morreram e há relatos de massacres na capital do país, Trípoli, e de que aviões e helicópteros estariam bombardeando os manifestantes.

 

O chefe da Liga Árabe, Amr Moussa, se disse "profundamente preocupado" com a situação no país do norte da África e pediu o fim da violência e dos confrontos. A Líbia atualmente ocupa a presidência rotativa do órgão.

 

Após o agravamento da situação no país nesta segunda, dois jatos da Força Aérea Líbia chegaram a Malta. Os pilotos, que se recusaram a bombardear os opositores, pediram asilo, segundo uma fonte militar. Antes, dois helicópteros civis chegaram à ilha carregando sete pessoas que se diziam franceses. Apenas uma carregava passaporte.

 

Com Associated Press e Reuters

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