Kadafi estaria a 60 km de Trípoli, diz rebelde

Porta-voz do conselho militar afirma que ditador está cercado perto da capital e sendo rastreado: coronel telefona a TV síria e diz que está na Líbia

Lourival Sant?Anna, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL / TRÍPOLI

O porta-voz do Conselho Militar de Trípoli, Anis Sherif, disse ontem que o comando rebelde da Líbia, agora no poder, sabe o paradeiro de Muamar Kadafi. Segundo Sherif, o ditador encontra-se em um raio de 60 quilômetros da capital, cercado pelos combatentes do governo provisório. Ele não informou a localização exata, mas disse que Kadafi tem sido rastreado por meio de alta tecnologia e por integrantes do grupo rebelde.

Hisham Buhagiar, que coordena os esforços do Conselho Nacional de Transição (CNT) para capturar Kadafi, afirmou que o ditador tem viajado em um comboio de cerca de dez veículos pelo Deserto do Saara desde que os insurgentes tomaram Trípoli, há duas semanas.

Kadafi, segundo Buhagiar, abriga-se em uma tenda. "Sabemos que ele não quer ficar em uma casa", disse ao canal de TV Al-Jazira. "As pessoas contaram que os carros vieram e eles armaram uma tenda."

As duas fontes sugerem que Kadafi continua na Líbia. Um comboio escoltado por tuaregues (beduínos do deserto) armados atravessou o Saara na terça-feira e entrou no Níger vindo da Argélia, mas o governo local negou com veemência que Kadafi ou seus filhos estivessem nos veículos.

Kadafi telefonou ontem à TV síria Arrai, assegurou que está na Líbia e prometeu derrotar os rebeldes. "Não lhes sobra mais nada (aos rebeldes) do que a guerra psicológica e as mentiras. Dizem ultimamente que viram Kadafi em um comboio para o Níger. Como se fosse a primeira vez que um comboio cruza para o Níger", disse o ditador em sua primeira mensagem em vários dias.

Abdullah Kanshil, que conduz as negociações para a rendição de Bani Walid, declarou ontem acreditar que dois filhos de Kadafi, Saif al-Islam e Mutassim, estejam na cidade, situada 150 quilômetros a sudeste de Trípoli. Saif era preparado para ser o sucessor de Kadafi e Mutassim era o chefe do Conselho de Segurança Nacional.

Em entrevista à agência Reuters, Kanshil acrescentou que está investigando a informação de que o próprio Kadafi poderia estar no local. "Isso explicaria por que Bani Walid está resistindo. Os filhos dele estão lá, com certeza."

Os combatentes do CNT cercam a cidade de 100 mil habitantes, reduto da tribo warfallah, a mais numerosa da Líbia, com 1 milhão de integrantes, principal base de apoio a Kadafi. Moradores que fugiram de Bani Walid disseram à Reuters que a população local está "aterrorizada". "Muitos ainda apoiam Kadafi porque eram pagos pelo regime. Muitos cometeram crimes e têm medo de serem presos."

Kanshil e outros combatentes continuaram ontem negociando com líderes tribais a rendição da cidade. Os combatentes cercam também Sirte, cidade natal de Kadafi e reduto de sua tribo - al-kadadfa -, 450 quilômetros a leste de Trípoli. Eles deram um prazo até o sábado para que a cidade de 130 mil habitantes se renda. Caso os partidários de Kadafi resistam, os insurgentes invadirão. O CNT acredita que outro comboio partiu de Sirte levando para o Níger dinheiro e ouro do Banco Central líbio.

Mesmo após as declarações do governo do Níger, o CNT enviou uma delegação ao país para pedir que as autoridades não protejam Kadafi, seus filhos e colaboradores. "Estamos pedindo a todos os países para não aceitá-lo", disse Fathi Baja, responsável por assuntos políticos do CNT.

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