Kadafi estaria considerando o exílio, diz Hillary

Secretária de Estado americana, porém, diz que não se pode confiar nas ações do ditador

Reuters

22 de março de 2011 | 19h51

WASHINGTON - A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta terça-feira, 22, que o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, e seus aliados estariam considerando a opção do exílio mediante a pressão à qual estão submetidos desde o início da incursão militar internacional no país africano. Hillary, porém, disse que não está claro se a iniciativa do coronel é realmente séria ou apenas "teatro".

 

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"Parte disse é teatro", disse Hillary em entrevista ao canal ABC. Segundo ela, os EUA estão a par de casos de pessoas "que estão procurando opções em nome de Kadafi". "Muito disso é apenas o modo como ele se comporta. É de certa forma imprevisível", disse. "Mas achamos que eles estão procurando suas opções. E nós encorajamos isso", completou a diplomata americana.

 

A coalizão formada por EUA, França, Reino Unido, Itália, Canadá, Qatar, Noruega, Bélgica, Dinamarca, Romênia e Espanha deu início no sábado a uma intervenção militar na Líbia, sob mandado da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Nesta terça, Washington, Londres e Paris concordaram que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve desempenhar um papel na incursão.

 

A resolução da ONU prevê a criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia e a tomada de "quaisquer medidas necessárias" para impedir o massacre de civis pelas tropas de Kadafi, que está no poder há 41 anos e enfrenta um revolta há mais de um mês. Desde o início da ação internacional, os insurgentes ganharam força. Eles querem derrubar o ditador.

 

Hillary também disse que o governo americano recebeu relatos não confirmados que ao menos um dos filhos de Kadafi teria morrido nos ataques aéreos da coalizão. De acordo com a diplomata, "as evidências não são suficientes" para confirmar a informação, mas acrescentou que não foram as forças dos EUA que o mataram.

 

A liderança da coalizão também ainda é motivo de discussão, segundo a secretária de Estado. EUA, França e Reino Unido ainda estariam discutindo o assunto, mas Hillary adiantou que a Otan "definitivamente seria envolvida, porque há uma série de membros da aliança envolvidos e eles querem ver uma ação organizada". De acordo com ela, a operação "está indo na direção certa".

 

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