Kadafi fica sem ingresso para jogos olímpicos

COI anuncia que esperará até 2012 para entregar à Líbia os convites para o evento esportivo, para garantir que eles caiam nas mãos certas

AP, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2011 | 00h00

Em mais um duro revés para o governo do ditador líbio, Muamar Kadafi, os organizadores dos Jogos Olímpicos anunciaram ontem que vão adiar a entrega dos ingressos para o Comitê Olímpico da Líbia até a proximidade da Olimpíada de 2012, em Londres, para ter "absoluta certeza" de que eles cairão nas mãos certas.

O fato de um dos filhos de Kadafi, Mohamad, ser o diretor do Comitê Olímpico da Líbia provocou o temor de que os dois poderiam tentar entrar na Grã-Bretanha para os Jogos.

"Kadafi, seu filho e 13 membros-chave do governo líbio estão proibidos de entrar na União Europeia e não poderão vir para os Jogos Olímpicos", disse uma porta-voz do Departamento de Cultura, Mídia e Esportes da Grã-Bretanha. O ditador está sendo acusado no Tribunal Penal Internacional, em Haia, de cometer crimes de guerra pela violenta repressão ao levante contra seu governo.

O comitê organizador britânico é obrigado a fornecer ingressos aos 205 países-membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) que fizerem as solicitações, independentemente de considerações diplomáticas ou políticas.

Todos os países que participarão da Olimpíada - entre eles Zimbábue, Mianmar, Iêmen, Bahrein e Síria - devem apresentar uma lista dos componentes de suas comitivas e o Ministério de Relações Exteriores britânico tem o poder de vetar a entrada de qualquer pessoa no país. Cerca de 120 chefes de Estado e governo devem comparecer ao evento esportivo.

O jornal britânico The Telegraph tinha informado em sua edição de ontem, citando fontes do Comitê Olímpico Internacional, que Mohamad Kadafi tinha recebido centenas de convites da comissão que está organizando a Olimpíada.

"Nenhum convite para os eventos dos Jogos foi impresso ou distribuído", desmentiu o COI num comunicado. "É uma situação sensível, por isso vamos adotar a política de esperar e ver até termos certeza de que os bilhetes serão usados corretamente".

O COI, no entanto, insistiu que os atletas de todos os países são independentes dos governos e devem ter o direito de competir. Um milhão de ingressos para a Olimpíada - dos 8,8 milhões que serão impressos - devem ser distribuídos entre os países participantes.

A Grã-Bretanha é um dos principais integrantes da missão militar que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) está lançando na Líbia para estabelecer uma zona de exclusão aérea e proteger a população das forças de Kadafi.

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