Kadafi financiou Sarkozy, diz lobista

Ziad Takieddine afirma ter documentos que provam transferências para campanha presidencial de 2007

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2013 | 02h02

Novas revelações feitas em Paris reforçam as suspeitas de que campanhas eleitorais do ex-presidente da França Nicolás Sarkozy tenham sido financiadas por dinheiro ilegal proveniente da Líbia de Muamar Kadafi. Em depoimento ao Ministério Público, cujo conteúdo foi obtido pelo jornal Le Parisien, Ziad Takieddine, um empresário franco-libanês que intermediava venda de armas em nome da França, afirmou ter as provas do "caixa 2 internacional" do ex-presidente.

As suspeitas surgiram no início da revolução na Líbia, em 2011, quando um dos filhos do ditador, Saif al-Islam Kadafi, afirmou à imprensa internacional que revelaria documentos comprovando o financiamento clandestino caso a França continuasse a apoiar os revolucionários. Em 2012, novas denúncias foram feitas pelo site de informação Mediapart, que chegou a publicar um documento que comprovaria a transferência de parte do dinheiro - um total de € 50 milhões. Mas a investigação não foi incorporada pela Justiça da França, pelo menos até 19 de dezembro.

Envolvido em outro escândalo de corrupção, o Caso Karachi - que envolve pagamento de grandes somas de propina em negócios da indústria bélica francesa - o empresário Ziad Takieddine acusou Sarkozy de receber em caixa 2 recursos de Kadafi e seu ex-ministro do Interior, Claude Guéant, de ter coordenado as transferências.

Pelo esquema, o partido do ex-presidente teria recebido € 100 milhões para financiar a campanha presidencial de 2007, na qual Sarkozy acabou eleito. Outras transferências teriam sido feitas após a eleição.

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