Philippe Wojazer/Reuters
Philippe Wojazer/Reuters

Kadafi pode ter financiado campanha de Sarkozy em 2007, diz 'Libération'

Para atual presidente francês, tese do jornal de esquerda é 'grotesca'

Efe,

13 de março de 2012 | 10h25

PARIS - Um contrato de 2007 pelo qual a França vendeu ao regime líbio de Muamar Kadafi um sistema de espionagem pela internet pode ter servido para financiar a campanha eleitoral há cinco anos do atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, segundo documentos publicados nesta terça-feira, 13, pelo jornal "Libération".

Sarkozy havia desqualificado nesta segunda-feira a tese - "grotesca", segundo ele - de que comissões do contrato da companhia francesa Amesys com a Líbia acabaram nas contas de sua campanha de 2007, depois que o site "Médiapart" antecipou alguns desses documentos.

Nesta terça-feira, o jornal de esquerda acrescentou alguns elementos de suspeita, em particular que o ex-ministro do Interior francês Brice Hortefeux, uma das personalidades mais próximas a Sarkozy, aparece identificado nas notas incriminadoras como quem participou da suposta montagem financeira das comissões.

Hortefeux criticou as insinuações de ter administrado 50 milhões de euros saídos da venda do material de controle online que serviu ao regime de Kadafi. Ele considerou "tudo absolutamente falso" e se negou a comentar em detalhe o conteúdo - "ridículo", em sua opinião.

A base das suspeitas são notas, agora em poder da Justiça, de Jean-Charles Brisard, responsável de uma empresa de espionagem e amigo do médico Didier Grosskopf, que tratou membros da família Kadafi.

Essas notas possuem anotações de Brisard que resumem conversas com Grosskopf no qual o médico lhe contava sobre as operações que testemunhou na Líbia, e em particular a participação da negociação com o intermediário, o franco-libanês Ziad Takieddine.

O "Libération" reconhece que há muitas dúvidas sobre o valor e o sentido dessas notas, já que as supostas comissões poderiam ser a remuneração de Takieddine, e inclusive tudo poderia ser uma montagem de Brisard contra o intermediário, sobretudo caso se descubra que a ex-mulher do franco-libanês, Nicola Johnson, entregou à Justiça muitos documentos em clara mostra de despeito.

Takieddine desmentiu as alusões sobre um suposto financiamento político e, além de desqualificar a veracidade de possíveis declarações de Brisard e Grosskopf, admitiu que as relações entre Líbia e França passavam por suas mãos naquele momento.

As diversas peças potencialmente incriminadoras estão no sumário de instrução do atentado de 2002 no Paquistão contra engenheiros franceses que trabalhavam em submarinos vendidos a esse país, algo suspeito de estar relacionado com supostas comissões para campanhas políticas na França.

 

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