Kadafi reaparece na TV após longa ausência

Sumiço de líder líbio tinha provocado rumores de que ele estaria ferido; secretário da ONU pede ''cessar-fogo imediato''

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

O líder líbio, Muamar Kadafi, reapareceu ontem, após semanas de ausência. Kadafi apareceu ontem à tarde na TV estatal por vários minutos. Uma câmera o filmou a distância, enquanto ele estava reunido com líderes tribais.

O sumiço do líder líbio provocou rumores de que ele poderia ter sido ferido no bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra seu complexo militar. O ataque matou um dos filhos de Kadafi e três netos dele e o líder líbio não foi ao enterro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ontem um cessar-fogo "imediato" na Líbia e exigiu o acesso de funcionários da organização ao país para garantir a assistência humanitária aos civis. O apelo foi feito depois que Ban conversou por telefone com o premiê líbio, Al-Baghdadi Ali al-Mahmoudi. O pedido foi feito no momento em que a Otan intensifica suas operações contra as forças de Kadafi.

Segundo Ban, o governo líbio fez uma contraproposta, que foi recebida com suspeita pela ONU. A organização teme que Kadafi queira ganhar tempo para se rearmar.

"Para que possamos aceitar um acordo, Trípoli precisa parar imediatamente seus ataques contra a população em Misrata", disse Ban. Não é a primeira vez que Kadafi oferece um cessar-fogo. Mas a avaliação é que não há qualquer sinal de que a oferta seja sincera.

"O premiê sugeriu que o governo líbio está disposto a declarar cessar-fogo imediato, com o monitoramento da ONU e da União Africana", disse Ban. "Mas primeiro temos de ver o fim dos ataques. Então, poderemos garantir a assistência humanitária e promover um diálogo."

Por enquanto, o único acordo entre a ONU e Trípoli foi o que acertou que os líbios receberiam uma missão para "negociar uma resolução pacífica e garantir acesso pleno para agências humanitárias". Essa será a sétima visita do enviado Abdul Ilah Khatib para negociar uma trégua.

O chanceler polonês, Radek Sikorski, anunciou ontem que visitará os rebeldes em Benghazi. Trata-se da visita de mais alto escalão já realizada pela Europa à região liberada. Bruxelas indicou que abriria uma escritório na cidade.

Para a Otan, um cessar-fogo seria bem-vindo, mas só seria aceito se fosse acompanhado pelo fim dos ataques a civis. "Apoiamos o pedido de cessar-fogo de Ban. A Otan quer ver um fim imediato da violência", disse a porta-voz da entidade, Carmen Romero. "Não pode haver só uma solução militar para a crise na Líbia."

Ban defendeu ainda o mandato da Otan, alertando que a resolução da ONU pede que ações militares sejam tomadas para prevenir que as forças de Kadafi matem civis. Em Bruxelas, a aliança defendeu a mesma linha.

Na terça-feira, a Otan conduziu os ataques mais pesados contra a Líbia em semanas. Bombas foram lançadas sobre a capital e sobre Sirte, cidade de Kadafi.

Segundo a Otan, o avanço dos rebeldes é consequência justamente dos ataques contra posições do Exército. Ontem, opositores anunciaram a ocupação do aeroporto de Misrata. / COM ASSOCIATED PRESS

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