Kadafi recua em ameaça a rebeldes e anuncia trégua

No entanto, combatentes da oposição dizem que forças leais ao ditador líbio mantêm ofensiva pelo menos na cidade de Misrata

Lourival Sant?Anna, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2011 | 00h00

Antes mesmo de os aviões das potências ocidentais começarem a chegar, a resolução da noite de quinta-feira do Conselho de Segurança da ONU teve um impacto notável sobre o estado de ânimo de Muamar Kadafi. Horas depois de autorizado o emprego de "todos os meios necessários" - ou seja, uma ofensiva militar - para proteger a população civil das Forças Armadas de Kadafi, o chanceler líbio, Mussa Kussa, anunciou ontem um "cessar-fogo unilateral".

Mas, segundo rebeldes, Misrata, a única cidade da região oeste, controlada por eles, continuava sendo bombardeada ontem.

"A Líbia decidiu por um cessar-fogo imediato e a interrupção de todas as operações militares", disse Kussa, com mãos trêmulas, em entrevista coletiva em Trípoli. O chanceler manifestou sua "tristeza" com a resolução, que chamou de "estranha e não razoável" e uma violação da soberania líbia. Ele pediu diálogo entre todas as partes.

Foi um recuo espetacular, depois que, na quinta-feira, Kadafi havia advertido, em rede de rádio e TV, que suas forças, que estavam chegando a Benghazi, fariam buscas de casa em casa e não teriam "misericórdia" em relação aos oposicionistas.

Depois de tomar Ajdabiya com intensos bombardeios e sangrentas batalhas, as forças de Kadafi avançaram entre quarta e quinta-feira 60 km, ficando a 100 km de distância de Benghazi. Saif Al-Islam, o filho que o ditador de 68 anos aparentemente preparava para sucede-lo, foi menos humilde que o chanceler e garantiu que não estava com medo da resolução da ONU, segundo a TV Al-Arabiya. Ele afirmou que "unidades antiterroristas" cercariam a cidade e desarmariam os rebeldes.

Depois da discrepância entre as declarações dos representantes do regime e a aparente continuidade da ofensiva de Kadafi em pelo menos em uma cidade, Misrata, as potências ocidentais seguiam ontem com os preparativos para as ações militares na Líbia, que podem começar hoje.

Um combatente de Misrata disse à agência Reuters que as forças de Kadafi estavam bombardeando casas, mesquitas e até ambulâncias - um padrão seguido desde Ras Lanuf, a primeira cidade tomada na contraofensiva do governo, como presenciou o Estado na semana passada. "Acreditamos que eles querem entrar na cidade a qualquer custo antes de a comunidade internacional começar a aplicar a resolução da ONU", interpretou outro combatente em Misrata.

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