Kadafi rejeita sanções e diz que Líbia está calma

O ditador líbio, Muamar Kadafi, rejeitou as sanções impostas pela Organização das Nações Unidades (ONU), classificando-as como inválidas e disse que a calma volta à Líbia à medida que territórios dominados pela oposição foram cercados. Em uma rara declaração à imprensa estrangeira transmitida pela televisão sérvia, Kadafi culpou os extremistas da Al-Qaeda pelas mortes ocorridas no país desde que os protestos contra o regime começaram, no dia 15 de fevereiro.

AE, Agência Estado

27 de fevereiro de 2011 | 19h08

"O Conselho de Segurança adotou uma resolução que é inválida de acordo com o Estatuto das Nações Unidas. Ela é nula", disse Kadafi ao canal de televisão sérvio Pink, num comunicado de dez minutos em árabe, que foi dublado em sérvio. "Como é possível que o Conselho de Segurança adote uma resolução baseada num relato da mídia? Isso é inaceitável e vai contra o senso comum", acrescentou o ditador.

O Conselho de Segurança da ONU pediu que Kadafi, sua família e pessoas ligadas a ele sejam proibidos de viajar e que seus bens sejam congelados, e planeja adotar um embargo contra a Líbia, onde, segundo a organização, mais de mil pessoas foram mortas.

Na declaração transmitida pela TV, Kadafi insistiu que a situação na Líbia estava calma no momento. "Não há incidentes no momento e a Líbia está completamente calma. Não há nada incomum. Não há nenhum distúrbio", afirmou o líder, acrescentando que, embora pessoas tenham sido mortas em ambos os lados, isso foi apenas em pequeno número.

Ele culpou os extremistas da Al-Qaeda pela violência no país e repetiu sua alegação de que os manifestantes da oposição estavam drogados. "As pessoas foram mortas por gangues de terroristas e eles são, sem dúvida, da Al-Qaeda", declarou Kadafi. Sobre o território controlado pela oposição, o ditador sérvio disse: "Há um pequeno grupo (de oponentes) que está cercado, mas nós vamos resolver isso."

Aliado

Kadafi deu seu depoimento ao jornalista Miodrag Popovic do popular canal de TV privado sérvio conhecido principalmente por seus programas de música folk. O canal é propriedade do magnata da mídia Zeljko Mitrovic, antigo aliado do falecido ditador sérvio Slobodan Milosevic.

Mitrovic teria emprestado seu avião particular para Zoran Lilic, ex-presidente iugoslavo e um amigo pessoal de Kadafi, ir a Trípoli para negociar a retirada de cidadãos sérvios da Líbia. Popovic disse que Lilic e a equipe de reportagem do Pink estiveram em Trípoli por três dias para ver a situação no país e encontrar Kadafi.

Uma filmagem mostrada pelo canal antes e depois das declarações de Kadafi irem ao ar focou na alegada normalidade da vida diária em Trípoli, mostrando os partidários do ditador líbio, carros circulando no centro da cidade e pessoas comendo pão, em meio aos relatos de que os cidadãos líbios estavam passando fome. O jornalista também comentou que os edifícios que foram relatados como bombardeados estavam totalmente intocados. As informações são da Dow Jones.

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