Kadafi usa caças da Força Aérea para reprimir manifestantes na Líbia

Ao menos 160 pessoas teriam morrido de ontem para hoje; Kadafi perde apoio no governo e no Exército

estadão.com.br,

21 de fevereiro de 2011 | 15h29

TRÍPOLI - O ditador líbio, Muamar Kadafi, utilizou aviões de guerra contra manifestantes que protestavam contra seu governo em Trípoli, informou a rede de TV Al-Jazira, nesta segunda-feira, 21. O canal do Catar cita moradores da capital líbia como testemunhas. A censura à mídia estrangeira dificulta a confirmação das informações.  

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Algumas cidades do leste do país, como Benghazi e Bayda, já estão sob controle dos manifestantes, com o auxílio de militares e policiais que mudaram de lado. Em Trípoli, onde há manifestações desde domingo, ao menos 160 pessoas morreram, diz a TV Al-Arabya.

A praça dos Mártires foi palco de enfrentamentos entre os dissidentes e forças de segurança desde as primeiras horas da manhã. A sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça foram incendiados.

A violenta repressão desencadeada pelo regime rachou também o governo de Kadafi. O ministro da Justiça, os embaixadores líbios nas Nações Unidas e na Liga Árabe, além de chefes de representações diplomáticas no Reino Unido, Índia, China e Suécia renunciaram.

Em outro golpe para Kadafi, representantes da tribo Warfla, a maior do país, manifestaram apoio aos protestos contra o governo. O apoio da maioria das tribos foi crucial para Kadafi manter-se no poder desde 1969. Um grupo de líderes religiosos também emitiu uma fatwa (decreto religioso) conclamando os fiéis a derrubarem o regime.

"Eles demonstraram uma impunidade arrogante. Continuam, e aumentam, seus crimes sangrentos contra a humanidade. Demonstraram total infidelidade aos ensinamentos de Deus e seu amado profeta (que a paz esteja com ele)", diz o grupo, denominado Rede dos Ulemás Livres da Líbia.

Um dos filhos de Kadafi advertiu em um pronunciamento transmitido pela TV que o país poderá enfrentar uma guerra civil. Os comentários de Sayf al-Islam al-Kadafi foram feitos após os protestos contra o governo, antes concentrados no leste do país, terem chegado à capital.

Alguns analistas temem que a Líbia pode estar a caminho de um conflito do gênero. "A Líbia é o candidato mais provável para uma guerra civil porque o governo perdeu o controle de parte de seu território", disse à Reuters o diretor de pesquisa do Brookings em Doha, Shadi Hamid.

"Vai ser algo muito mais caótico do que aconteceu na Tunísia e no Egito. Kadafi e seus filhos vão para a briga", acrescentou Geoff Porter, da consultoria de Risco Wikistrat.

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Com AP e Efe

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