Sebastian Scheiner/AP
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Kadima deixa coalizão de Netanyahu

Disputa sobre lei que pretende regulamentar ingresso de judeus no Exército provocou o rompimento

estadão.com.br,

17 de julho de 2012 | 18h07

JERUSALÉM - A coalizão partidária comandada pelo premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, que domina a maioria dos assentos do Parlamento, se rompeu nesta terça-feira, 17, com a saída do centrista Kadima - menos de três meses após o partido surpreender o país ao oferecer seu apoio ao governo direitista de Bibi.

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Provocada por uma disputa sobre uma lei que regulamenta a convocação de jovens religiosos ao serviço militar, a fratura não derrubará o primeiro-ministro, mas poderá, provavelmente, antecipar as eleições previstas para outubro de 2013.

"Não foi fácil entrar no governo. Paguei publicamente um preço por isso. Mas não há como escapar da necessidade de romper", disse o vice-premiê e líder do Kadima, Shaul Mofaz, que buscava aprovar uma legislação que obrigaria todos os judeus ultraortodoxos de 18 anos a alistar-se no Exército, como qualquer outro cidadão israelense de origem judaica nascido no país.

Atualmente os radicais não são obrigados a prestar serviço militar em Israel.O premiê, porém, propôs na tarde de hoje uma versão mais amena da lei, segundo a qual os religiosos teriam dos 18 aos 23 anos para ingressar nas Forças Armadas - informou o site do jornal israelense Haaretz. De acordo com a proposta, os radicais judeus que não se alistarem nessa faixa etária não poderiam entrar no Exército, mas estariam aptos a integrar serviços civis como os bombeiros, a Estrela de Davi Vermelha, a polícia israelense ou a administração penitenciária.

"Netanyahu pensa que sua proposta pode chegar a um acordo e provocar uma mudança histórica e responsável, como nunca ocorreu desde o estabelecimento do Estado (de Israel)", disse ao Haaretz uma fonte envolvida na negociação da nova lei. "A proposta de Netanyahu contradiz as determinações da Suprema Corte, não atende ao princípio de igualdade, é desproporcional", disse o líder do Kadima ao diário israelense.

Ontem, centenas de judeus ultraortodoxos realizaram um protesto em Jerusalém, no bairro Mea Shearim - que concentra os religiosos radicais na cidade - para se manifestar contra a legislação.

Custo político. O súbito rompimento poderá minar a credibilidade de Mofaz que, de volta à oposição, deverá tentar remover Netanyahu do cargo nas próximas eleições. Há dois anos, o líder centrista encorajou seu partido a formar coalizão com o premiê. Ao tornar-se presidente do Kadima, porém, disse que nunca se juntaria ao atual governo. Mas em maio surpreendeu seu país fazendo exatamente isso. 

Com NYT, Reuters e AP

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