Kadima deixa o governo de Israel

O líder do Partido Kadima, Shaul Mofaz, disse nesta terça-feira que o partido de centro deixa o governo de unidade formado dois meses atrás. Segundo o site de notícias Ynet, ele declarou que a legenda "não teve escolha" a não ser deixar o governo.

AE, Agência Estado

17 de julho de 2012 | 17h25

A saída do Kadima, o maior parceiro da coalizão de governo em Israel, jogou o país numa crise política nesta terça-feira e deixou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a cargo de uma coalizão extremista que se opõe à maior parte das medidas de paz na região.

O moderado Kadima aprovou em votação sua saída do governo, medida que parece deixar o país mais perto de eleições antecipadas, um cenário que pode paralisar por meses a diplomacia no Oriente Médio.

Mesmo se Netanyahu conseguir manter a truncada coalizão unida, a súbita crise tem amplas implicações para a paz na região, o que o deixa com uma maioria parlamentar menor e dominada por extremistas religiosos e nacionalistas que se opõem a concessões a palestinos.

Mofaz levou o partido para a coalizão para trabalhar com Netanyahu no fim de um sistema controverso e antigo que concede isenção a dezenas de milhares de estudantes judeus ultraortodoxos, que não precisam prestar serviço militar. Mas com a aproximação da decisão judicial sobre a questão, em 1º de agosto, os dois lados não conseguiram chegar a um acordo.

"Nós fizemos um grande esforço para a aprovação de uma nova lei que alteraria o equilíbrio do serviço militar", declarou Mofaz - que é ex-chefe militar - durante coletiva de imprensa.

Mofaz disse que tentou montar um "novo contrato social", mas foi apresentado a "linhas vermelhas" que não podem ser cruzadas. "Vamos voltar, com nossas cabeças erguidas, para liderar a oposição do país", disse ele.

O Kadima é o maior partido do Parlamento de Israel, tendo conquistado um assento a mais do que o Likud, de Netanyahu, na última eleição, mas foi deixado de fora quando Netanyahu formou seu governo.

A isenções aos ultraortodoxos provocam grande ressentimentos entre a maioria secular israelense, a quem é exigido de dois a três anos de serviço militar compulsório. Líderes ultraortodoxos são igualmente inflexíveis em sua recusa em ceder, afirmando que seus jovens servem à nação por meio de orações e estudos.

Netanyahu havia proposto um sistema que anexaria gradualmente um crescente número de ultraortodoxos no decorrer de vários anos e manteria as isenções para alguns deles, mas Mofaz quer uma incorporação mais rápida. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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