Karadzic boicota julgamento e audiência é adiada

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic boicotou hoje a abertura de seu julgamento por crimes de guerra e não enviou um advogado para defendê-lo. Com isso, forçou os juízes a adiarem a audiência. Os magistrados afirmaram que o caso começará a ser julgado amanhã, com ou sem a presença do réu. Karadzic afirma que não teve tempo suficiente para se preparar. Ele está detido e trabalha na sua defesa desde sua prisão em um ônibus de Belgrado, em julho de 2008, quando vivia como médico alternativo.

AE-AP, Agencia Estado

26 de outubro de 2009 | 10h45

Karadzic é uma das figuras centrais dos confrontos na região dos Bálcãs, ocorridos desde a dissolução da Iugoslávia. Ele é acusado por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. O ex-líder viveu como fugitivo por 13 anos, mas insiste que é inocente. Ele pode pegar prisão perpétua, caso condenado.

O juiz O-Gon Kwon disse que o caso começará amanhã à tarde, quando os promotores farão sua declaração inicial. Uma porta-voz da corte informou que o adiamento ocorreu para que Karadzic tivesse tempo de reconsiderar seu boicote. A suspensão foi recebida com gritos do público na galeria do tribunal, onde estavam vários sobreviventes da guerra e jornalistas. "Nós estamos chocados", disse Admira Fazlic, que esteve presa em um campo servo-bósnio durante o conflito. "Radovan Karadzic está tornando o mundo e a justiça ridículos. Ele está gozando com todos."

O julgamento de Karadzic é o mais importante no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia desde o inconcluso caso do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que morreu durante o julgamento, em 2006.

Crimes

Karadzic, de 64 anos, é acusado de orquestrar o assassinato de 8 mil muçulmanos em Srebrenica, em 1995, e também de limpeza étnica contra populações de muçulmanos e croatas. A Guerra da Bósnia (1992-1995) deixou mais de 100 mil mortos, a maioria vítimas de ataques servo-bósnios. Uma das sobreviventes de Srebrenica, Dzemla Delalic, ameaçou fazer greve de fome caso o julgamento não prossiga.

O massacre de Srebrenica foi o pior caso de violência na Europa desde a Segunda Guerra (1939-1945). Karadzic é acusado de ostentar o sonho político de uma "Grande Sérvia", etnicamente pura. Ele afirma que fez um acordo com o enviado de paz dos Estados Unidos Richard Holbrooke, em 1996, segundo o qual ele deixaria a vida pública em troca de imunidade na Justiça. Holbrooke nega esse acordo, e os juízes dizem que o pacto, de qualquer forma, não teria qualquer valor.

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