Michael Kooren/Efe
Michael Kooren/Efe

Karadzic diz que tentará atrasar seu julgamento mais uma vez

Ex-líder servo-bósnio é acusado por 11 crimes de guerra e contra a humanidade praticados na guerra da Bósnia

Efe,

28 de janeiro de 2010 | 19h33

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic assegurou nesta quinta-feira, 28, no Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) que tentará atrasar mais uma vez a retomada de seu julgamento, previsto para 1º de março.

 

"Apresentarei outra moção para adiar o início do julgamento", declarou durante uma audiência preparatória realizada hoje no TPII, sediado na cidade holandesa de Haia.

 

No entanto, Karadzic pareceu não impor impedimentos a expor suas alegações iniciais em 1º de março caso essa tentativa de atrasar novamente seu julgamento seja rejeitada, já que respondeu afirmativamente quando o juiz lhe perguntou se concordava em apresentá-las nessa data e contar com dois dias para isso.

 

O ex-presidente servo-bósnio aproveitou também a audiência para queixar-se novamente do que considera como poucos recursos destinados pelo tribunal para a preparação de sua defesa e voltou a reivindicar mais remuneração para seus assessores legais.

 

O juiz respondeu que esperava que esses assuntos se resolvessem "o mais rápido possível" e lembrou a vontade de retomar o julgamento na data prevista.

 

Se Karadzic não estiver na sala do tribunal em 1º de março, sua defesa será conduzida pelo advogado de ofício atribuído pelos juízes para esse trabalho, o britânico Richard Harvey.

 

Karadzic recorreu desta nomeação na Câmara de Apelação do TPII, à qual solicita um advogado proveniente de uma região da ex-Iugoslávia. Ainda não há uma decisão sobre o assunto.

 

O TPII realizará no próximo dia 15 uma nova audiência preparatória na qual se analisarão as moções pendentes antes do começo do julgamento.

 

O julgamento de Karadzic foi aberto em 27 de outubro do ano passado com as alegações iniciais da Promotoria, mas não prosseguiu devido à recusa do acusado, que faz sua própria defesa, a se apresentar na sala do tribunal.

 

Diante disso, os juízes nomearam um advogado de ofício e estabeleceram o dia 1º de março como data para retomar o processo e, assim, dar tempo ao magistrado de preparar a defesa.

 

Karadzic enfrenta 11 acusações formais por crimes de guerra e contra a humanidade supostamente ocorridos durante a guerra da Bósnia (1992-95).

 

As acusações de genocídio se referem à morte em 1995 de quase oito mil muçulmanos na cidade bósnia de Srebrenica e às 12 mil vítimas civis do ataque a Sarajevo.

 

Responsabilidade da Onu

 

Um advogado que representa os familiares dos que morreram no massacre de Srebrenica disse nesta quinta em Haia que a Onu deve assumir as responsabilidades pelo assassinato em massa, levado a cabo durante a Guerra da Bósnia, entre 1992 e 1995.

 

Uma resolução de julho de 2008 determinou que a Onu não pode ser chamada a nenhuma corte legal, um golpe contra um processo de 2007 das famílias das vítimas contra o Estado holandês pela falha em evitar o massacre de Srebrenica.

 

Marco Gerritsen, que representa 6.000 familiares das vítimas, disse na audiência de apelação que as famílias buscaram a verdade, reconhecimento e compensação durante 15 anos e criticou a Onu por não estar preparada para se defender na corte.

 

"Esta atitude da Onu é evidência do pouco respeito mostrado às milhares de vítimas que foram abusadas, deportadas e assassinadas mesmo com a presença de soldados da Onu", disse Gerritsen.

 

Os Países Baixos afirmaram que suas tropas foram abandonadas pela Onu, que não lhes deu apoio aéreo.

 

Gerritsen também acusou o Estado holandês de jogar um "papel duplo". O advogado disse que os Países Baixos argumentaram que não poderiam se responsabilizar pelos eventos de Srebrenica e que estava deixando a responsabilidade às Nações Unidas.

 

"A consequência disso (...) é que os 6.000 familiares sobreviventes das vítimas do genocídio não têm para onde voltar-se", apontou o advogado, acrescentando que isso era "humanamente, moralmente e legalmente inaceitável".

 

Os advogados que representam os familiares de Srebrenica buscam uma sentença afirmando que a Onu não tem imunidade e é responsável pelo massacre, e prometeram levar o caso à Corte Europeia de Justiça se o sistema legal holandês não tomar a decisão.

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