Karadzic pede tempo para avaliar acusações em Haia

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic foi levado hoje, pela primeira vez, perante um tribunal da Organização das Nações Unidas (ONU) para responder às acusações de genocídio e crimes contra a humanidade. Karadzic se recusou a declarar-se culpado ou inocente das 11 acusações apresentadas contra ele no Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), em Haia. "Não tenho interesse que alguém leia o indiciamento para mim", disse ele. "Prefiro receber o novo indiciamento e ter tempo suficiente para estudá-lo para então fazer minha declaração."Com o cabelo cortado, a barba feita e mais magro do que nos tempos da Guerra da Bósnia (1992-1995), Karadzic chegou ao tribunal vestindo um terno escuro e gravata para a audiência preliminar de seu julgamento, primeiro passo de um processo que pode estender-se por anos.O ex-líder servo-bósnio chegou a sorrir em alguns momentos e disse que se defenderia. "Eu tenho um conselheiro invisível, mas decidi me representar", disse ele calmamente ao juiz Alphons Orie. Ele recusou um advogado de defesa oferecido pelo TPII.Em virtude do pedido de mais tempo de Karadzic, o juiz marcou então uma nova audiência para 29 de agosto, quando Karadzic terá de declarar-se culpado ou inocente. Caso ele não se manifeste, a corte interpretará o silêncio como declaração de inocência.Karadzic foi extraditado ontem para a Holanda, alguns dias depois de ter sido preso na Sérvia. Antes da detenção, o paradeiro do ex-líder servo-bósnio era desconhecido havia mais de uma década.A audiência de hoje marcou a primeira aparição em público de Karadzic desde sua detenção, em 21 de julho, em um ônibus de Belgrado. Quando foi preso, ele estava irreconhecível, com o rosto escondido atrás de uma vasta barba branca.Karadzic é responsabilizado pela morte de dezenas de milhares de pessoas e pelo sofrimento imposto a milhares de bósnios muçulmanos e croatas entre 1992 e 1995, período da Guerra da Bósnia. Caso venha a ser condenado, Karadzic, atualmente com 63 anos, estará sujeito à sentença máxima de prisão perpétua.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.