Karzai amplia vantagem a 9 pontos em apuração afegã

Novo total de Karzai está mais próximo do patamar de 50% dos votos, que permitiria evitar um segundo turno

AE-AP,

26 de agosto de 2009 | 16h21

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ampliou a liderança diante de seu principal rival, nesta quarta-feira, após funcionários locais divulgarem novos resultados parciais das eleições presidenciais realizadas na semana passada. O novo total de Karzai está mais próximo do patamar de 50% dos votos, o que permitiria a ele evitar um segundo turno.

 

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A Comissão Eleitoral Independente liberou a segunda parcial de resultados da eleição da semana passada. Mais parciais serão divulgadas diariamente, segundo o órgão, mas o resultado final sairá apenas no meio de setembro, pelo menos. Serão investigadas ainda dezenas de denúncias de fraude.

 

O baixo comparecimento e as alegações de fraude lançaram uma sombra sobre a eleição. O principal rival de Karzai, o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah, acusou o presidente de fraude generalizada. Karzai nega qualquer irregularidade.

 

Os mais recentes resultados mostram Karzai com 44,8%, enquanto Abdullah aparece com 35,1%. A parcial é baseada em 17% das urnas, o que ainda dá margem a grandes mudanças.

 

As eleições da última quinta-feira foram a segunda votação direta para presidente da história afegã. Militantes realizaram dezenas de ataques pelo país, levando ao fechamento de algumas seções eleitorais.

 

Os resultados se aproximam dos apurados por uma pesquisa de opinião realizada em julho, segundo a qual 44% dos afegãos votariam em Karzai e 26% em Abdullah. O levantamento com 2.400 pessoas foi patrocinado pelo Instituto Republicano Internacional, uma organização não-governamental que recebe recursos do governo dos Estados Unidos. A margem de erro da pesquisa é de mais ou menos dois pontos porcentuais.

 

Ramazan Bashardost, o candidato que deve ficar em terceiro na disputa presidencial, afirmou numa coletiva de imprensa nesta quarta-feira que o anúncio dos resultados antes da finalização do trabalho da Comissão de Reclamações Eleitorais era contra a lei.

 

O chefe da Comissão Eleitoral, Daoud Ali Najafi, disse que todos os procedimentos estão de acordo com a lei, que diz que os resultados finais "certificados" não podem ser divulgados até que a comissão de reclamações termine seu trabalho.

 

A comissão de reclamações recebeu mais de 1.400 queixas, mais de 150 das quais podem afetar o resultado da eleição, disse a porta-voz Nellika Little.

 

Este verão (no hemisfério norte) tem sido o mais violento desde invasão norte-americana de 2001. O presidente Barack Obama ordenou o envio de mais 21 mil soldados para o país neste ano, em parte para ajudar na segurança das eleições. Mas a violência continua a subir.

 

Nesta quarta-feira, o Taleban negou responsabilidade pelo ataque realizado na noite de terça-feira que matou pelo menos 43 pessoas e feriu 65 na maior cidade do sul afegão.

 

A explosão atingiu a área central de Kandahar duas horas após os primeiros resultados parciais das eleições terem sido divulgados.

 

Equipes de resgate ainda retiravam pessoas ferias do local nesta quarta-feira. A explosão ocorreu num distrito que abriga instalações da Organização das Nações Unidas e escritórios da inteligência afegã.

 

O ministério do Interior informou que a explosão foi provocada por explosivos acionados por controle remoto colocados num caminhão. Funcionários locais disseram que cinco carros-bomba causaram a explosão.

 

Kandahar é o lar espiritual do Taleban, mas o grupo assegurou que não teve envolvimento no ataque. O grupo geralmente nega estar por trás de ataques que matam civis.

 

"Nós negamos a responsabilidade e condenamos este ataque no qual civis inocentes foram mortos", escreveu o porta-voz do Taleban, Qari Yousef Ahmadi, numa mensagem de texto enviada para um repórter da Associated Press.

 

O governador de Kandahar, Tooryalai Wesa, disse que os funcionários locais não podem dizer ainda quem foi responsável, já que os atacantes "não têm consciência ou famílias". "A área estava cheia de civis inocentes. Não havia instituições importantes do governo", disse Wesa.

 

Enquanto isso, mais dois soldados americanos morreram hoje no Afeganistão, um no leste e outro no sul do país, informou o comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

 

As mortes elevam a 43 o total de militares americanos mortos em solo afegão em agosto, restando cinco dias para o fim do mês. Em julho -, até o momento o mês mais mortífero para as tropas dos EUA desde a invasão, em 2001 -, 44 soldados americanos morreram no país centro-asiático. As informações são da Associated Press.

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