Karzai condena execução de casal por apedrejamento pelo Taleban

Para presidente do Afeganistão, ato 'inumano e anti-islâmico é injustificável'

Associated Press

17 de agosto de 2010 | 14h08

CABUL - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, condenou nesta terça-feira, 17, a morte de um casal por apedrejamento aparentemente promovida pelo Taleban e disse que se tratou de um ato extrajudicial contra pessoas comprometidas e casadas.

 

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Um funcionário do governo provincial indicou na segunda-feira que o casal foi executado publicamente pelos insurgentes depois que o grupo islâmico os prendeu a pedido de suas famílias. Segundo a fonte, eles eram casados com outras pessoas, não entre eles.

 

"O apedrejamento destes jovens afegãos por um grupo ilegal sem julgamento é um ato inumano e anti-islâmico, que de nenhuma forma pode ser justificado", disse Karzai em um comunicado.

 

Na nota, o presidente ainda disse ter ordenado aos organismos de justiça e segurança que fizessem tudo o que estivesse ao seu alcance para levar os culpados pelo caso à corte.

 

As execuções na província de Kunduz foram as primeiras desse tipo pelas mãos do Taleban na zona e vão de acordo com os chamados de um grupo de clérigos na semana passada para restabelecer e aplicar a Sharia, a lei islâmica, e seus castigos.

 

O caso ocorreu uma semana depois de as autoridades dizerem que os extremistas islâmicos açoitaram e executaram publicamente uma mulher acusada de adultério na província de Badgis, no noroeste do país. Um porta-voz Taleban disse na segunda que não estava a par do ocorrido em Kunduz e também garantiu que o grupo não está por trás da execução de Badgis.

 

Os taleban, que lideram uma campanha contra o governo e as forças estrangeiras, receberam duras críticas por aplicar esse tipo de punição quando estavam no poder no Afeganistão, entre 1996 e 2001.

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