Karzai consegue maioria absoluta após fim da apuração afegã

Presidente evita 2º turno com 54% dos votos, mas acusações de fraude e recontagem podem mudar o resultado

16 de setembro de 2009 | 12h24

A Comissão Eleitoral do Afeganistão informou nesta quarta-feira, 16, que, com a apuração provisória já terminada, o presidente afegão, Hamid Karzai, conseguiu 54,6% dos votos nas eleições presidenciais, e com isso evitará a convocação de um segundo turno. O principal adversário de Karzai, o ex-ministro de Exteriores Abdullah Abdullah, obteve 27,8% dos votos, segundo os resultados provisórios oferecidos pelo órgão eleitoral, em entrevista coletiva.  O resultado do pleito, porém, ainda pode ser alterado, pois várias urnas estão sob investigação, após centenas de denúncias de fraudes.

 

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Uma comissão apoiada pelas Nações Unidas examina as denúncias da eleição de 20 de agosto. Caso uma quantidade suficiente de votos seja invalidada, Karzai ainda pode enfrentar Abdullah em um segundo turno. A União Europeia afirmou que uma equipe do bloco encontrou pelo menos 1,5 milhão de votos suspeitos, entre os 5,5 milhões até então liberados, antes dos resultados finais desta quarta-feira. Phillippe Morillon, coordenador da equipe de fiscalização da UE, disse que 1,1 milhão de votos foram fraudados a favor de Karzai e outros 300 mil a favor do rival, o ex-chanceler Abdullah Abdullah.

 

Segundo a BBC, Karzai condenou nesta quarta-feira as alegações feitas pela UE. "O anúncio de hoje sobre o número de votos suspeitos, feito pelo chefe e o vice da comissão de monitoramento eleitoral da União Europeia é parcial, irresponsável e contradiz a constituição afegã", afirmou um comunicado emitido nesta quarta-feira pelo escritório de campanha do presidente.

 

O comunicado diz também que os monitores europeus deveriam ter encaminhado suas conclusões para órgãos afegãos de fiscalização eleitoral. "Acreditamos que a única forma de legitimar o resultado do atual processo é permitir que as instituições legais completem seu trabalho", diz.

 

O resultado final ainda pode ser derrubado por um órgão independente, a Comissão de Queixas Eleitorais apoiada pela ONU, que já ordenou a recontagem de 10% das seções eleitorais depois de encontrar "claras e convincentes evidências de fraude".

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