Karzai critica bombardeios aliados de alvos civis

Declaração foi dada durante entrevista a uma rede de TV alemã; Merkel assegura ajuda para o Afeganistão

Efe,

11 de maio de 2009 | 04h07

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, criticou de novo o bombardeio de alvos civis em seu país por parte das forças da coalizão aliada e das tropas da Otan.

 

"Isso é algo que não deveria acontecer", afirmou nesta segunda-feira, 11, Karzai em declarações ao jornal matinal da maior rede da televisão pública alemã, a ARD, onde comentou que a guerra contra o terrorismo não pode ser ganha atacando povoados.

 

Apesar de tudo, o presidente afegão expressou seu agradecimento a "todas as mães alemãs" cujos filhos e filhas cumprem atualmente serviço para o Exército do país no Afeganistão.

 

Após destacar que a formação das novas forças de segurança afegãs poderia durar ainda uns cinco anos, Karzai comentou que ninguém pode dizer atualmente quanto tempo mais durará a luta contra o terrorismo em seu país.

 

A chanceler alemã, Angela Merkel, prometeu este domingo manter o compromisso de seu governo com o Afeganistão, apesar da crescente instabilidade que o país está vivendo, e embora não tenha se comprometido a enviar mais soldados assegurou ao presidente Hamid Karzai ajuda para acelerar a formação policial.

 

Merkel recebeu Karzai na Chancelaria, em um momento em que o presidente está sob pressão internacional devido aos poucos progressos que registra seu governo na reconstrução do país, mas no qual precisa do apoio para ser reeleito.

 

Karzai explicou a Merkel que um dos problemas consiste em que a Polícia não conseguiu ainda o grau de efetividade necessário para enfrentar todas as ameaças.

 

Por esse motivo, a chanceler prometeu fazer o que esteja em suas mãos sempre e quando isso constituir um aumento de seus soldados desdobrados, "pois a Alemanha já faz o que pode".

 

Merkel quis lançar uma mensagem de apoio ao presidente, mas evitou muitos elogios.

 

"O Afeganistão está indo por um bom caminho, mas ainda há luzes e sombras e serão necessários muitos esforços", disse Merkel, que ressaltou que não queria desenhar as coisas melhor do que estão.

 

Karzai agradeceu mais uma vez ao governo alemão tudo o que contribuiu para a reconstrução do país e ressaltou que a instabilidade é sobretudo patente naquelas regiões onde não há soldados da comunidade internacional.

 

Tanto Merkel como Karzai constataram a boa cooperação que houve até agora entre as forças de segurança, e nesse contexto o presidente afegão citou o exemplo da recente detenção de um dirigente taleban por parte das forças alemãs.

Tudo o que sabemos sobre:
Afeganistão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.