Karzai deve perder força no Parlamento afegão, indicam resultados

Comissão Eleitoral divulga deputados eleitos e oposição diz ter ampliado poder no legislativo

Efe

24 de novembro de 2010 | 12h37

CABUL - A Comissão Eleitoral do Afeganistão publicou nesta quarta-feira, 24, os resultados das eleições para o Parlamento e, segundo analistas, o presidente Hamid Karzai terá dificuldades para controlar o legislativo durante seu mandato.

 

Os resultados definitivos foram divulgados mais de dois meses depois das eleições parlamentares, realizadas em 18 de setembro. Ainda assim, faltam os números correspondentes às 11 cadeiras da circunscrição de Ghazni, província onde não foi possível votar naquela data por razões de segurança.

 

Em entrevista coletiva, o presidente da Comissão Eleitoral, Fazal Manawi, mencionou "razões técnicas" para o atraso na apuração das cédulas de Ghazni e prometeu anunciar as cadeiras dessa província durante a próxima semana.

 

Abdullah Abdullah, principal rival de Karzai nas eleições presidenciais do ano passado, disse que o bloco da oposição ganhou força com os resultados anunciados nesta quarta-feira. Segundo ele, vários dos candidatos que se apoiam as forças opositoras foram eleitos.

 

"Em termos de números, eu diria que temos mais de 90 parlamentares. A presença de um número maior de opositores no Parlamento certamente terá um impacto no governo. Acho que conseguiremos apresentar um equilíbrio maior", disse.

 

Fraudes

 

Os resultados anunciados excluem 24 candidatos que tinham sido dados como vencedores no dia 20 de outubro, quando a Comissão invalidou um total de 1,3 milhão de cédulas por considerá-las fraudulentas.

 

Entre os candidatos que obtêm assento na nova Câmara estão alguns "senhores da guerra" notórios como Abdul Rasul Sayyaf, Hussain Anwari, Mohammed Mohaqiq, Amanulah Guzar e Hazrat Ali, considerados próximos a Karzai.

 

Dos 24 candidatos que foram desqualificados, 11 eram considerados simpáticos ao presidente Karzai, o que os analistas interpretaram como uma tentativa de "equilibrar" as forças no Parlamento.

 

O anúncio dos resultados culminou em novos protestos nesta quarta-feira, que reuniram cerca de 200 candidatos derrotados em Cabul. No entanto, Manawi pediu aos candidatos que levem suas queixas à Comissão Eleitoral em vez de protestar nas ruas e bloquear as estradas.

 

Karzai ecoou o pedido e declarou que os protestos violentos protagonizados por políticos nos últimos dias e em diferentes cidades do país são contrários ao interesse nacional.

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