Karzai e rival declaram vitória no Afeganistão

Ambos afirmam que venceram em primeiro turno; Comissão Eleitoral diz que 50% dos eleitores votaram

21 de agosto de 2009 | 07h50

 

Funcionários da Comissão Eleitoral trabalham na apuração dos votos. Foto: AP

 

CABUL - O chefe da campanha de Hamid Karzai e o principal candidato da oposição disseram nesta sexta-feira, 21, declararam vitória na eleição presidencial no Afeganistão, e ambos afirmam que os primeiros resultados indicam que não haverá necessidade de um segundo turno. Por enquanto, a Comissão Eleitoral se limita apenas a cifrar a participação do eleitorado, entre 45% e 50%

 

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"Os primeiros resultados mostram que o presidente conseguiu a maioria", afirmou Deen Mohammad, acrescentando que não haverá necessidade de um segundo turno, mas que a responsabilidade pelo anúncio dos resultados oficiais é da Comissão Eleitoral. Abdullah Abdullah, ex-ministro de Relações Exteriores de Karzai, rechaçou a declaração de vitória dos governistas e afirmou que os resultados preliminares mostram que ele ganhará ainda no primeiro turno. "Estamos na frente. Os resultados iniciais das províncias mostram que tenho mais de 50% dos votos", afirmou.

 

Karzai tenta conquistar a reeleição nesta que é apenas a segunda eleição direta para a presidência do Afeganistão. O pleito é considerado um teste crucial para o regime instalado depois que o Taleban saiu do poder, no final de 2001.

 

A equipe de campanha de Karzai baseia seus dados nas informações de cerca de 29 mil observadores que acompanharam o pleito nos colégios eleitorais de todo o país. "Estamos na melhor situação. Abdullah, por enquanto, tem 62% dos votos, enquanto (o atual presidente, Hamid) Karzai, apenas 32%", disse o porta-voz da campanha opositora, Fazel Sancharaki.

 

A lenta apuração dos votos começou ainda na quinta-feira, após o fechamento das urnas, mas a Comissão Eleitoral espera resultados apenas a partir de 3 de setembro. Pesquisas antes das eleições apontavam Karzai na frente, mas previam um segundo turno com o candidato Abdullah Abdullah.

 

O organismo responsável pelas eleições se mostrou crítico às declarações de vitória dos candidatos. "Nem confirmamos nem aceitamos essas reivindicações. Começaremos a informar sobre a apuração a partir de 25 de agosto. Portanto, nenhum candidato pode se atribuir a vitória", disse o porta-voz da Comissão Eleitoral. Ele assegurou que a participação nas eleições presidenciais de quinta-feira foi entre 45% e 50% dos eleitores, faltando apurar votos em quatro províncias.

 

Intimidação extremista

 

O Taleban não foi capaz de realizar grandes atentados na eleição para presidente e para conselhos provinciais, conforme tinha prometido. Mas sua intimidação parece ter funcionado. Depois de uma campanha cujos comícios e debates na TV provocaram grande entusiasmo, o comparecimento foi visivelmente baixo em muitas seções eleitorais. A Comissão Eleitoral Independente (CEI) só divulgará dentro de três a quatro dias o índice de comparecimento; e de dois a três dias, a primeira contagem parcial de votos.

 

Um baixo comparecimento pode prejudicar o presidente Hamid Karzai, candidato à reeleição, porque uma de suas bases eleitorais é a população de maioria pashtun do sul do país, onde o Taleban exerce maior influência. Além disso, uma eventual abstenção alta pode colocar em dúvida a legitimidade da eleição.

 

A eleição foi marcada por um extraordinário esquema de segurança. Em Cabul, cidade de 4 milhões de habitantes, havia cerca de 40 bloqueios do Exército e da polícia. As ruas estavam semidesertas. As fronteiras da província de Cabul com as províncias vizinhas foram seladas dos dois lados, impedindo a entrada e saída de veículos.

 

A CEI conseguiu abrir 6.199 seções eleitorais, ou 94,88% das que haviam sido planejadas. As restantes não puderam ser abertas por causa das ações do Taleban. De acordo com o ministro do Interior, Mohammad Anif Atmar, em 70% das províncias as seções eleitorais funcionaram sem grandes transtornos. Nos outros 30%, os transtornos foram maiores, "mas, mesmo assim, as pessoas participaram".

 

À pergunta sobre se um eventual baixo comparecimento não poria em xeque a legitimidade da eleição, Karzai respondeu que não, em entrevista coletiva depois do fechamento das urnas: "O povo afegão enfrentou bombas e intimidações e saiu para votar. Veremos qual foi o comparecimento. Isso é ótimo." Karzai qualificou as eleições de "um sucesso". O presidente americano, Barack Obama, disse que as forças lideradas pelos EUA "precisam se concentrar em terminar o trabalho" no Afeganistão depois do que pareceu ser uma eleição bem sucedida. Mas ele admitiu que isso levará tempo.

 

(Com Lourival Sant'Anna, de O Estado de S. Paulo)

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