Karzai oferece cargos a rivais perto das eleições afegãs

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, ofereceu ontem cargos no próximo governo a seus principais adversários, na tentativa de criar um clima de união nacional diante da violenta campanha da milícia fundamentalista Taleban para impedir a realização da eleição presidencial, no dia 20. Militantes taleban atacaram ontem com granadas propelidas por foguetes e tiros um comboio do ex-presidente Burhanuddin Rabbani, que fazia campanha para o principal rival de Karzai, o ex-chanceler Abdullah Abdullah, na Província de Kunduz, norte do país. Rabbani não foi atingido, mas três taleban morreram no confronto com seus guarda-costas.

AE, Agencia Estado

14 de agosto de 2009 | 08h01

Karzai, que lidera as pesquisas de intenção de voto, disse que, se vencer, convidará os candidatos Abdullah e Ashraf Ghani, também ex-membro de seu gabinete, como ministro das Finanças, ?para comer, tomar um chá e dar-lhes cargos?, como fez da última vez. A menção pouco lisonjeira foi repelida pelos dois candidatos. ?Não sou um candidato étnico, sectário, e sim um candidato nacional, mas não estou em busca de cargo no ministério?, rejeitou Ghani, que, como Karzai e Abdullah, é pashtun, maior grupo étnico do país (42% da população). ?Vamos esperar o dia da eleição e ver os resultados?, desafiou Sayyid Agha Hussein, porta-voz de Abdullah.

Pesquisa realizada em meados de julho pelo instituto americano Glevum Associados conferiu 45% das intenções de voto a Karzai, seguido por Abdullah, com 25%. No total, são 36 candidatos. Se nenhum superar a metade dos votos, haverá segundo turno seis semanas depois do primeiro. Karzai governa o Afeganistão desde 2001, quando os EUA derrubaram o governo do Taleban, que se recusava a entregar Osama bin Laden, logo após os atentados do 11 de Setembro. Em 2004, a primeira eleição presidencial do Afeganistão confirmou Karzai no cargo. Seus críticos acusam seu governo de corrupção e incompetência.

Militantes taleban em vários pontos do país, sobretudo no sul, onde se concentra a etnia pashtun, que forma o grosso do movimento, reiteraram ontem as advertências de que vão sabotar a eleição. Panfletos distribuídos nas ruas e bazares, cartazes colados nas paredes de mesquitas e mensagens transmitidas por rádios clandestinas ameaçaram os eleitores afegãos com ?forte punição?. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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