Karzai questiona confiabilidade dos EUA no Afeganistão

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, questionou a confiabilidade dos Estados Unidos como parceiros, ao mesmo tempo em que rebateu as críticas acerca da legitimidade de seu governo após as eleições manchadas por fraude.

AE, Agencia Estado

26 de outubro de 2009 | 08h13

Numa entrevista à CNN, o principal opositor de Karzai, o ex-chanceler Abdullah Abdullah, advertiu que a estratégia dos EUA não terá sucesso sem um parceiro confiável em Cabul e culpou Karzai pela deterioração da situação. No entanto, sublinhando a dor-de-cabeça política que Washington enfrentará se Karzai vencer a disputa contra Abdullah no mês que vem, o presidente afegão apontou o dedo para os EUA numa entrevista pré-gravada.

"Os EUA são um parceiro confiável para o Afeganistão?", indagou Karzai. "O Ocidente é um parceiro confiável para o Afeganistão? Temos recebido os compromissos que nos foram dados? Temos sido tratados como um parceiro?" Karzai afirmou que, para ele, estaria havendo uma parceria apenas se houvesse respeito às vidas e propriedades dos afegãos, e se o povo afegão soubesse "a direção para aonde está caminhando".

As declarações aparentemente se referem às antigas críticas de Karzai sobre as mortes de civis nos ataques aéreos realizados pelos EUA e ao fato de o presidente Barack Obama não ter concluído a revisão da estratégia dos EUA no Afeganistão, nem ter dado uma resposta ao pedido de mais 40 mil soldados feito pelo comandante das tropas norte-americanas no país.

Fraudes

Karzai disse ainda que as acusações de fraude nas eleições de 20 de agosto foram desproporcionais. Os números oficiais deram à Abdullah 30,59% dos votos no primeiro turno, mas Karzai concordou com a realização de um segundo turno depois que mais de um milhão de votos foram desconsiderados por fraude, deixando-o sem os 50% exigidos para a vitória antecipada. "Houve alguns erros, houve alguns incidentes de fraude", admitiu Karzai.

O presidente ressaltou, porém, que "a eleição como um todo foi limpa e o resultado foi claro". Ele acrescentou que, o segundo turno, em 7 de novembro, "deve apresentar um resultado claro, e esse resultado deve ser respeitado". As informações são da Dow Jones.

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