Karzai tem pequena liderança nos primeiros resultados parciais

Presidente afegão e ex-chanceler estão próximos na contagem de 10% dos votos, com 40,6% e 38,7%

25 de agosto de 2009 | 10h39

A comissão eleitoral do Afeganistão informou, nesta terça-feira, que o presidente Hamid Karzai e seu principal oponente, o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah, aparecem ambos perto dos 40% dos votos, com apenas 10% das urnas apuradas. Karzai leva uma pequena vantagem.

 

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A comissão aponta que Karzai tem 40,6% dos votos, ante 38,7% de Abdullah. Em entrevista coletiva, o secretário da Comissão Eleitoral, Daoud Ali Najafi, informou que Karzai recebeu 212.927 dos 555.842 votos apurados até o momento. Em segundo, aparece o ex-ministro Abdullah Abdullah, com o apoio de 202.889 eleitores.

 

Deve haver a divulgação de resultados parciais diariamente, até se concluir a apuração. A expectativa das autoridades locais é que os resultados finais sejam divulgados apenas no meio de setembro. Cerca de 15 milhões de afegãos estavam habilitados para participar do pleito da quinta-feira passada, a segunda realizada no país após a queda do regime taleban.

 

O anúncio coincide com uma nova denúncia de fraude eleitoral, esta vez por parte do candidato opositor Ashraf Ghaní, que divulgou uma lista de 38 queixas por irregularidades apresentadas por sua equipe de campanha perante o órgão encarregado de investigar se foram cometidas práticas fraudulentas no pleito. Ghaní acusou as equipes do atual presidente afegão, Hamid Karzai, e do principal candidato da oposição, Abdullah Abdullah, de haver interferido no processo, forçando eleitores a votar nos dois candidatos e falsificando votos.

 

No domingo passado, a Comissão de Queixas Eleitorais (ECC) anunciou que tinha recebido mais de 200 denúncias de irregularidades, sendo que 35 delas podem levar à alteração dos resultados. Já Abdullah também assegurou que dispõe de provas que demonstram que a equipe de Karzai, seu principal rival, realizou fraudes durante o processo.

 

Momentos antes da divulgação, Abdullah pediu para que os afegãos tenham "calma, paciência e responsabilidade". "Creio que a população recorrerá à violência", afirmou. Desde o dia da eleição, Abdullah tem acusado Karzai e seus partidários de fraude generalizada e afirmou que seus correligionários apresentaram mais de 100 queixas de irregularidades. A ONU reconheceu que houve alguns "problemas" durante a votação, mas pediu que candidatos e eleitores tenham paciência enquanto as autoridades investigam as alegações de fraude.

 

Em uma eleição marcada pelo baixo comparecimento e acusações de fraudes, o presidente afegão Hamid Karzai teria conquistado a reeleição em primeiro turno, com 68% dos votos, segundo afirmou na véspera o ministro das Finanças, Hazrat Omar Zakhilwal. O ministro não informou como obteve os dados, mas garantiu que são confiáveis.

 

"Sim, nós podemos", disse o ministro, imitando o slogan da campanha do presidente americano, Barack Obama. "E você pode deixar de fora Kandahar, Zabul e Uruzgan", afirmou Zakhilwal, referindo-se a províncias do sul do Afeganistão de maioria pashtun que apoiavam Karzai, mas onde o comparecimento às urnas foi baixo por causa das ameaças do Taleban.

Antes da eleição, duas pesquisas de opinião indicavam que Karzai teria a maioria dos votos, mas não chegaria a 50,1%, número exigido para evitar o segundo turno com Abdullah. Ambos os lados declaram vitória após a votação, mas prometeram respeitar o resultado oficial e evitar a violência.

 

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