Karzai teme que Afeganistão vire campo de batalha para outros países

General americano prevê 'dias difíceis' na guerra emprendida pelas tropas dos EUA

Efe e Reuters,

16 de março de 2010 | 11h49

CABUL - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, manifestou nesta terça-feira, 16, sua preocupação com a possibilidade de o Afeganistão virar um campo de batalha para países que travam guerras particulares.

 

Segundo uma nota publicada no site da presidência afegã, durante uma videoconferência que teve na segunda-feira com o presidente americano, Barack Obama, Karzai pediu ajuda às vítimas do conflito no país e expôs suas preocupações em relação ao futuro do Afeganistão. "O presidente Karzai fez eco da preocupação do povo afegão, que não quer ver seu país transformado em um campo de batalha para guerras por procuração ('proxy wars', em inglês) de outras nações", destaca a nota.

 

Obama garantiu ao colega afegão o "compromisso a longo prazo" dos EUA para que o Afeganistão se torne um país "próspero e estável". Ambos os líderes também reiteraram a importância de uma abordagem conjunta para a aceleração do "processo de paz e reconciliação", que inclui um diálogo com os taleban dispostos a abandonar a violência.

 

Os dois chefes de Estado disseram estar apostando no fortalecimento das instituições afegãs, na luta contra a corrupção e na realização de eleições parlamentares transparentes em setembro deste ano.

 

A nota diz ainda que Obama e Karzai mostraram-se dispostos a honrar os "compromissos" assumidos na Conferência de Londres, realizada em janeiro. No encontro, foram estabelecidas as bases de uma nova estratégia para o país asiático, focada na transferência da segurança às autoridades locais e na oferta de um diálogo aos taleban.

 

Dias difíceis

 

O chefe do Comando Central dos EUA, o general David Patraeus, disse nesta terça-feira que a guerra empreendida no Afeganistão "ficará mais difícil antes de ficar fácil" e previu que 2010 será "um ano bem difícil" para as tropas americanas.

 

Patraeus disse esperar que as tropas americanas possam reverter o crescimento da resistência Taleban no Afeganistão durante a ofensiva realizada na região fronteiriça com o Paquistão. O general, porém, previu "lutas difíceis e eventuais recuos" por parte dos militares dos EUA.

 

O general fez essas declarações perante o Comitê de Serviços Armados do Senado dos EUA. Patraeus foi o responsável pela bem sucedida ofensiva americana no Iraque em 2007, e por isso suas estratégias nas guerras em que está envolvido são observadas de perto pelo Congresso.

 

Sobre a presença das tropas dos EUA no Iraque, Petraeus disse esperar que os EUA consigam reduzir o número de soldados no país de 97 mil para 50 mil no final de agosto.

 

"O progresso no Iraque ainda é frágil. O país ainda enfrenta diversos desafios, e eles serão evidentes durante o difícil processo de escolha do próximo primeiro-ministro e de outros cargos", analisou o general.

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