Kasparov desiste da presidência

Líder da oposição russa afirma que obstáculos impostos pelo Kremlin o levaram a abandonar candidatura

AFP, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O líder da oposição russa Garry Kasparov anunciou ontem que não disputará a eleição presidencial em 2 de março, após o Kremlin lhe impor uma série de obstáculos. "Minha campanha eleitoral termina amanhã (hoje)", disse o ex-campeão de xadrez a jornalistas.Segundo o líder oposicionista, seu partido Outra Rússia não conseguiu encontrar um lugar para realizar uma convenção. A lei eleitoral russa exige que candidatos de partidos sem representação parlamentar recebam o apoio de pelo menos 500 pessoas num evento oficial. A data-limite para a realização do evento é até o dia 18. "Em toda cidade de Moscou não encontramos um lugar onde pudéssemos reunir nossos partidários", acusou Kasparov.A desistência da eleição presidencial é mais um golpe para o oposicionista, cujo partido também não pôde disputar as eleições legislativas do dia 2. A votação foi vencida pelo Rússia Unida, do presidente Vladimir Putin. Apenas um grupo de oposição, o Partido Comunista, conseguiu obter votos suficientes para integrar a câmara baixa do Parlamento. INFLUÊNCIAImpedido de tentar um terceiro mandato, Putin afirmou que pretende continuar influenciado o poder na Rússia. A oposição, no entanto, o acusa de tentar acabar a democracia.Recentes protestos contra o Kremlin foram reprimidos pela polícia e centenas de manifestantes detidos - entre eles Kasparov, que ficou preso por cinco dias. De acordo com ex-enxadrista, o governo russo aproveita-se também de seu domínio sobre os meios de comunicação para difamar os partidos de oposição. Para ele, as eleições legislativas foram uma farsa. "A Outra Rússia não luta pelo poder, mas sim pela realização de eleições verdadeiras", disse o líder da oposição.Na segunda-feira, Putin anunciou o vice-primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, como seu sucessor para o cargo. O forte apoio popular ao líder russo deve garantir a vitória de Medvedev, que declarou na terça-feira que gostaria que Putin fosse seu premiê. A manobra política permitiria ao atual presidente manter o controle do país. Leal partidário de Putin, o vice-premiê poderia até renunciar ao cargo, permitindo a volta do líder russo à presidência.

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