Kasparov é interrogado por ´extremismo´ na Rússia

O campeão mundial de xadrez e ativista de oposição Garry Kasparov foi interrogado por quase quatro horas pelo serviço de segurança da Rússia, nesta sexta-feira, 20, por suspeita de ter feito declarações extremistas, disse ele após o interrogatório. Kasparov foi interrogado pelo Serviço de Segurança Federal (FSB), um sucessor da soviética KGB, após uma manifestação contra o Kremlin no sábado passado, quando ele chegou a ser preso brevemente e multado por transgredir a ordem pública. Após deixar o escritório da FSB em Moscou, Kasparov disse que havia respondido perguntas sobre entrevistas que havia concedido a uma rádio e a um jornal antes do protesto, por suspeita de que ele teria convocado uma ação extremista. "Isso parece totalmente sem sentido, porque todas as nossas declarações foram por protestos pacíficos", disse Kasparov a jornalistas. Kasparov, que se tornou um dos ferrenhos críticos do presidente Vladimir Putin, o qual, embora diga que não participará da corrida presidencial de 2008, parece buscar uma segunda reeleição no pleito. As autoridades não estavam disponíveis no momento para responder. Falando em inglês, Kasparov disse que havia repetido sua oposição à violência e acrescentou esperar que as acusações contra ele sejam retiradas. "Eles não têm motivos, eles não têm nenhum gancho para proceder com as acusações criminais. Mas novamente, sabemos que hoje na Rússia ninguém está a salvo." Mais cedo, ele havia dito: "Acho que esse é um momento importante na política e vida pública da Rússia e em sua jurisprudência, porque essa é uma óbvia tentativa de tornar qualquer atividade política um crime." ProtestosKasparov foi detido no último sábado, 14, durante a Marcha dos dissidentes que a coalizão opositora A Outra Rússia tentou realizar em Moscou. Segundo a polícia, 170 manifestantes foram presos. A detenção do enxadrista, líder da Frente Cívica Unida, aconteceu junto à Praça Pushkin, onde cerca de dois mil opositores tentaram iniciar a manifestação.As autoridades moscovitas mobilizaram cerca de 9 mil policiais, que praticamente tomaram o centro da cidade, onde no domingo também se manifestaram organizações de jovens que apóiam o presidente Vladimir Putin.Durante a repressão, os policiais usaram cassetetes para atacar os manifestantes. A resposta do governo ao protesto foi duramente criticada de grupos pró-direitos humanos e reforçou a imagem de que o governo russo age contra a democracia.Golpe de EstadoO interrogatório de Kasparov ocorre na semana seguinte à investigação aberta pela FSB sobre o milionário russo Boris Berezovsky, que admitiu financiar um golpe para depor Putin."Precisamos usar a força para mudar o regime", disse Berezovsky em entrevista ao jornal britânico The Guardian. "É impossível mudar o regime por meios democráticos. Não pode haver mudança sem força, pressão", acrescentou o empresário, cuja fortuna está estimada em mais de US$ 1,7 bilhão.Essa não é a primeira vez que o governo britânico tem problemas com o empresário, situação que pode prejudicar a relação entre o Reino Unido e a Rússia. No ano passado, Berezovsky já tinha dito a uma rádio russa que queria tirar Putin do Kremlin pela força. Na ocasião, o então ministro de Relações Exteriores britânico, Jack Straw, advertiu o empresário de que ele poderia perder sua condição de refugiado político. Na última sexta, 14, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que Moscou pedirá que Londres cancele o status de refugiado do empresário. Caso isso ocorra, Berezovsky poderá ser extraditado para a Rússia, onde é acusado por diversos crimes. O empresário é um dos maiores desafetos de Putin.Com Efe e Associated Press

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