Kasparov é libertado em Moscou e volta a criticar Putin

Líder da oposição diz que Rússia está se transformando numa ditadura

Moscou, O Estadao de S.Paulo

30 de novembro de 2007 | 00h00

O líder oposicionista Garry Kasparov foi libertado ontem, após ficar cinco dias detido por ter liderado uma manifestação da oposição contra o governo russo no sábado passado. "O regime do presidente Vladimir Putin está entrando numa fase de enfrentar o próprio povo russo. Está se transformando numa ditadura", acusou o ex-enxadrista diante de sua casa em Moscou. A oposição russa acusa o governo de impedir que partidos contrários ao Kremlin participem das eleições parlamentares que serão realizadas no dia 2. O Outra Rússia, de Kasparov, não conseguiu inscrever seus candidatos para participar da votação.Kasparov afirmou que continuará liderando a campanha da oposição e disse que deve ser preso mais vezes, com acusações mais sérias. "Na primeira vez (que fui detido) fui condenado a pagar uma multa de 28. Desta vez foram cinco dias de prisão. Da próxima, será uma acusação criminal por extremismo", acusou. Horas antes da libertação de Kasparov, Putin pediu que os russos votem pelo partido Rússia Unida, do qual lidera a lista de candidatos. Numa mensagem transmitida pelas tevês, o líder russo afirmou que o país não pode permitir que o poder "volte para as pessoas que tentaram mas fracassaram em liderar nosso país", numa alusão aos rivais liberais. Segundo Putin, ao votar pelo seu partido, a população estará optando pela "estabilidade e continuidade", ao invés do caos que marcou a década de 90.BEREZOVSKI CONDENADOTambém ontem, um tribunal russo condenou à revelia o milionário Boris Berezovski por desviar milhões de dólares da empresa aérea Aeroflot, que ele controlou durante os anos 90. Berezovski, um duro crítico de Putin, vive atualmente exilado em Londres. Ele foi sentenciado a seis anos de prisão. Segundo investigadores, o milionário teria roubado mais de US$ 8,79 milhões de fundos da empresa. Berezovski recusou-se a cooperar com as investigações, afirmando que elas tinham motivação política. AFP, AP E REUTERS

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