Kate e William se casam sob expectativa de renovação da monarquia britânica

Ao trocar votos nesta sexta na abadia de Westminster, casal promete renovar interesse na instituição

BBC Brasil, BBC

29 de abril de 2011 | 03h21

Casamento real no Estadão.com.br

LONDRES - Após mais de cinco meses de preparativos, o príncipe William e Kate Middleton se casam nesta sexta-feira, 29, às 11h (7h de Brasília), na abadia de Westminster, em Londres.

Informações direto de Londres, com Flávia Tavares:

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O casal trocará seus votos diante de cerca de dois mil convidados no interior da abadia, e de bilhões de pessoas que assistirão à cerimônia por TV ou internet ao redor do mundo.

A expectativa em torno da união é muito maior do que a que cerca qualquer casal comum: trata-se de uma esperança de renovação da monarquia britânica.

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Especialistas na história da realeza do Reino Unido afirmam que membros da monarquia, da aristocracia e do universo político britânico acreditam que a união de Kate e William sobreviverá e será longa e feliz, ao contrário de muitas uniões recentes da família real do país.

Segundo o repórter da BBC especializado em monarquia Peter Hunt, a realeza "sobrevive ao ser notada e murcharia se fosse ignorada". Por isso, afirma ele, casamentos são importantes para a família real, porque "revigoram instituições centenárias", renovam o interesse do público em suas atividades e prometem a chegada de uma nova geração - que perpetuaria a dinastia de Windsor.

Apesar de enormes mudanças na atitude da realeza desde que a rainha Elizabeth II foi coroada - em 1952 - , pesquisas de opinião revelam que a maioria da população ainda é favorável ao status quo britânico. Na semana passada, o jornal The Guardian publicou consulta revelando que 66% do público acredita que a realeza é relevante para a vida do Reino Unido.

Futuro

De acordo com especialistas ainda há dúvidas, entretanto, sobre como será a "era William e Kate". Há perguntas sem resposta, como qual será o futuro papel de Kate na família real. Ou como o casal lidará com a demanda cada vez maior por visibilidade, à medida que a rainha - já octogenária - inevitavelmente for reduzindo suas atividades públicas. E quais são os riscos de um casal jovem ofuscar o homem que será o futuro rei, o príncipe Charles.

As respostas surgirão nos próximos meses e anos. Sabe-se de imediato que William tem um destino a cumprir, como piloto da Força Aérea Britânica e segundo na linha de sucessão do trono britânico. Seu destino é, um dia, ser rei. Já Kate terá que conquistar seu papel como membro sênior da realeza, e achar algumas causas de caridade para representar.

Acredita-se que William - que se ressente da perseguição dos paparazzi à sua mãe, a princesa Diana - tente obter um acordo para aplacar o sempre voraz apetite da imprensa britânica, e assim conseguir viver sua vida de casado com relativa privacidade. Alguns especialistas acreditam que a opção do casal pela discrição já tenha sido demonstrada no planejamento do casamento - que será repleto de pompa e circunstância, mas não muito extravagante.

Sabe-se que a crise econômica vivida pelo Reino Unido não permitiria um casamento extremamente luxuoso. Mas analistas insistem em afirmar que a escolha da abadia de Wesminster - em vez da catedral de Saint Paul, onde Charles e Diana se casaram - e por um coquetel seguido de jantar no palácio de Buckingham após a cerimônia religiosa, se deve também ao fato de que William e Kate querem ser a cara de uma monarquia mais simples, contemporânea e mais "pé no chão".

Programa oficial

Algumas tradições, entretanto, não serão abandonadas. O palácio de Saint James, residência oficial dos príncipes William e Harry, afirmou que a cerimônia na abadia de Westminster será a "epítome da britanicidade".

De acordo com a programação oficial do casamento, divulgada na quinta-feira, 28, a noiva entrará na igreja ao som do hino de coroação "I was glad", de Sir Charles Hubert Hastings Parry, do salmo 122.

A composição foi concebida para a coroação do tataravô de William, o rei Edward 7º, também na abadia de Westminster, em 1902. O príncipe Charles e sua esposa, Camilla Parker-Bowles, o príncipe Harry, os pais de Kate - Carole e Michael -, a irmã da noiva, Pippa, e seu irmão, James, serão testemunhas do casamento.

De acordo com os detalhes da cerimônia, a noiva prometerá "amar, confortar, honrar e proteger" o seu cônjuge. Entretanto, a exemplo do que ocorreu no casamento de Diana e Charles, o termo "obedecer" foi excluído dos votos matrimoniais.

Em mensagem publicada no programa oficial do casamento e divulgada na quinta-feira, William e Kate dizem estar "incrivelmente emocionados" com o afeto da população em relação a eles desde o anúncio do noivado. Eles agradecem "sinceramente a todos por sua gentileza", e afirmam: "Estamos felizes que você pode se unir a nós nas comemorações do dia que, esperamos, será um dos mais felizes de nossas vidas".

William passou a noite de quinta-feira com seu pai, sua madrasta e seu irmão, enquanto a noiva e sua família ficaram hospedados no requintado hotel Goring.

Convidados

Cerca de 50 chefes de Estado estrangeiros estão entre os 1,9 mil convidados para a cerimônia religiosa do casamento. A lista causou polêmica nos meios políticos britânicos. A primeira crise envolveu o príncipe herdeiro do Bahrain, Salman bin Hamad bin Isa Al Khalifa, que cancelou sua participação no casamento afirmando que não poderia deixar seu país em um momento de crise. O governo do Bahrein vem sendo criticado pelo governo britânico, devido à repressão a protestos populares.

Na quinta-feira, o embaixador sírio em Londres foi desconvidado para o casamento por iniciativa do Ministério do Exterior, que disse que a presença dele seria "inaceitável" mediante os relatos vindos da Síria nos últimos dias de ataques contra civis por forças do governo.

Também causou controvérsia a ausência dos ex-primeiros-ministros trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown da lista de convidados para a cerimônia na abadia. Os ex-premiês conservadores Margaret Thatcher e John Major receberam convites, o que surpreendeu parlamentares trabalhistas e despertou suspeitas de uma possível preferência política.

Segundo porta-vozes da família real, entretanto, Major e Thatcher foram convidados não por serem ex-chefes de governo, mas apenas devido a uma questão de protocolo. Ambos são membros da Ordem da Jarreteira, enquanto Blair e Brown não receberam a honraria, considerada a mais alta da rainha Elizabeth II.

A Ordem da Jarreteira foi estabelecida pelo rei Eduardo III em 1348, para honrar aqueles que contribuíram à vida nacional ou serviram ao detentor da coroa.

Visitantes

A agência de promoção do turismo na Grã-Bretanha, VisitBritain, estima que 600 mil pessoas a mais que o normal estarão na capital na sexta-feira. As autoridades ferroviárias estimaram que cerca de 400 mil pessoas usem esse meio de transporte para se deslocar para o centro de Londres na sexta-feira, 15% a mais que em outro feriado normal.

Muitos acreditam que o casamento dê um impulso à economia britânica, que passa por uma das mais graves crises de sua história - com turismo, vendas e comunicação entre os setores que seriam mais beneficiados. Analistas de varejo estimam que cerca de 707 milhões de euros (cerca de R$ 1,6 bi) sejam gastos na Grã-Bretanha como resultado do casamento. Segundo projeções, donos de restaurantes e hotéis podem esperar dois anos de aumento nas cifras do turismo, com o casamento em 2011 seguido pelas Olimpíadas, em 2012.

Empresas de mídia também podem esperar números de audiência excepcionais. Alguns economistas acreditam que o evento possa até mesmo estimular a confiança dos consumidores, levando pessoas a gastar mais. "Eventos extemporâneos podem aumentar a sensação de bem-estar econômico, além de outras sensações de bem-estar", diz o professor Stephen Lea, da Universidade de Exeter, especializado em psicologia econômica.

Mas alguns são mais cautelosos, afirmando que os gastos serão tanto modestos quanto temporários. Segundo eles, o casamento real não deve mudar o rumo da economia britânica, que encolheu 0,5% no trimestre final de 2010. Além disso, afirmam, qualquer benefício vindo do evento pode ser ofuscado pela perda de produtividade durante o feriado decretado no dia do casamento pelo premiê David Cameron.

 

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