Katsav também enfrenta suspeita de fraude e escutas ilegais

A situação do presidente de Israel, Moshé Katsav, acusado de crimes sexuais por cinco ex-funcionárias, se complicou com a suspeita de envolvimento em fraude e escutas ilegais, segundo fontes policiais.Katsav, que nesta quinta-feira deveria dar posse à nova presidente do Tribunal Superior de Justiça, Dorit Beinisch, pediu ao Poder Legislativo para se licenciar do cargo por 16 horas, e cancelou o ato.A juíza Beinisch, primeira mulher a se tornar presidente do Tribunal Supremo na história de Israel, receberá o cargo da presidente do Parlamento (Knesset), Dalia Itzik.Fontes policiais revelaram na quarta-feira à noite, ao fim de um quinto e exaustivo interrogatório, que o número de mulheres que acusam o presidente de abuso sexual chegou a sete, embora em alguns casos os supostos crimes tenham prescrito.A acusação mais grave, aparentemente, é a de uma ex-secretária da Presidência, "A", que alega ter sido violada por Katsav. O presidente, por sua vez, se diz vítima de uma tentativa de extorsão.Agora, o presidente é suspeito, segundo todos os jornais locais, que citam fontes policiais, de "vender" indultos a criminosos. Ele teria recebido dinheiro que foi depositado em bancos estrangeiros. Outra acusação é de determinar escutas de conversas telefônicas de funcionários da residência presidencial.Um parlamentar do partido direitista Likud, Yuval Steinitz, comparou Katsav a Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos."Clinton pagou centenas de milhares de dólares a Monica Lewinsky para ela retirar sua queixa, mas Katsav se negou à extorsão e acusou sua ex-empregada", defendeu Steinitz "Se ela foi vítima de abusos sexuais, por que quis voltar a trabalhar no escritório presidencial?", perguntou.A equipe policial encarregada dos interrogatórios, chefiada pelo comandante Yoav Segalovich, ouviu dois funcionários da residência presidencial sobre as novas acusações.Katsav, presidente desde 2000, reagiu dizendo que é vítima de "uma infame calúnia" lançada por "um bando de delinqüentes".As autoridades policiais levarão suas conclusões ao assessor jurídico do Governo, Menachem Mazuz, defensor do estado de direito, quem pode recomendar, ou não, o processo do presidente.

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