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Kavanaugh, entre Clarence Thomas e Robert Bork

Liderança republicana pretendia encerrar a questão rápido e evitar o risco de perder a maioria no Senado nas legislativas de novembro e de ficar sem a vaga na Suprema Corte

Helio Gurovitz , O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2018 | 05h00

Pelas acusações de molestação sexual, a sabatina no Senado de Brett Kavanaugh, o juiz indicado por Donald Trump para a Suprema Corte, tem sido comparada à de Clarence Thomas, em 1991. Acusado de assédio, Thomas foi confirmado pelo placar apertado de 52 a 48, com o voto de 11 democratas (situação hoje impensável).

Só que o objetivo da manobra democrata para revelar a identidade da principal acusadora de Kavanaugh é repetir o resultado de outra sabatina, a de Robert Bork, o conservador rejeitado por 58 votos a 42 em 1987, cujo nome virou até verbo. Por coincidência, Kavanaugh foi indicado à mesma cadeira antes destinada a Bork, depois ocupada por Anthony Kennedy.

Dos 49 senadores democratas, só dois não declararam voto contra Kavanaugh. Entre os 51 republicanos, há também dois votos em aberto. Na sexta-feira, surgiu uma quinta incógnita. O republicano Jeff Flake insistiu, na sessão da Comissão de Justiça que aprovou Kavanaugh, numa investigação do FBI antes da votação em plenário.

Foi um revés para a liderança republicana, que pretendia encerrar a questão rápido – e evitar o risco de perder a maioria no Senado nas legislativas de novembro e de ficar sem a vaga na Suprema Corte (como ocorreu com Merrick Garland, o indicado por Barack Obama que o Senado se recusou a ouvir). O plenário dirá se Kavanaugh repetirá a história de Thomas ou a de Bork.

O direito a portar facas nos EUA 

Desde 2010, 21 Estados americanos suspenderam leis que restringiam o uso de facas. Ativistas pró-facas se inspiram na National Rifle Association (NRA), o lobby das armas. Em 2016, facadas responderam por 11% dos homicídios, segundo o FBI (1.600, ante 7.600 mortes por armas de fogo). Nem o ataque que deixou um morto na Universidade do Texas em Austin, no ano passado, impediu o Estado de legalizar as facas dias depois. O próximo alvo é Ohio.

A crise dos caminhoneiros fora do Brasil

Enquanto há no Brasil excesso de oferta, faltam caminhoneiros nos países ricos, dependentes de entregas rápidas. O déficit chegará a 174 mil nos EUA em oito anos, informa a Foreign Policy. No Reino Unido, faltam 35 mil; na Suécia, 7 mil. Na Alemanha, 45 mil (a cada ano, para 30 mil que se aposentam, 2 mil entram na profissão). O barateamento dos transportes e a crise financeira reduziram a remuneração e afastaram milhares da boleia. Caminhões autônomos ainda não são uma solução viável.

A renúncia do ‘ditador vitalício’ do Linux

Acusado de grosseria, assédio moral e misoginia, pressionado por jornalistas que investigavam seu comportamento, o programador Linus Torvalds decidiu dar um tempo. Renunciou ao posto de “ditador benevolente vitalício” do Linux, software livre que sustenta sistemas de Google, Amazon e celulares Android. “Preciso de ajuda para entender as emoções das pessoas e como responder adequadamente”, disse em comunicado.

Novas revelações sobre Sabra e Chatila

O historiador Seth Anziska analisa, em Preventing Palestine (Impedindo a Palestina), o contexto que cercou os massacres nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, ao sul de Beirute, pelas falanges cristãs em setembro de 1982. Não encontrou prova conclusiva da anuência do então ministro da Defesa (depois premiê) israelense, Ariel Sharon. Mas mostra detalhes de como Israel e as falanges coordenavam suas ações na guerra e revela a aquiescência do enviado americano Morris Draper à tentativa israelense de livrar a área de “terroristas”.

O português que quer mais ‘espírito de aventura’

Falta à Europa o “espírito de aventura” do passado para enfrentar o desafio da integração econômica com a Ásia, afirma o cientista político português Bruno Maçães em The Dawn of Eurasia (O despertar da Eurásia). E o Brasil? “Não acredito que o espírito predominante no Brasil seja de aventura”, disse ao Mercatus Center. “É de um dolce far niente.” Maçães é otimista sobre o país. Vê nas eleições a oportunidade de “reconstruir coisas que foram perdidas”. 

 

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