Keiko e Humala acirram ataques na reta final da eleição no Peru

No único debate, candidatos à presidência deixam propostas de lado e tentam desqualificar o rival

, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

LIMA

Tecnicamente empatados, os candidatos à presidência do Peru Ollanta Humala e Keiko Fujimori usaram o único debate antes do segundo turno, no dia 5, oportunidade crucial para angariar votos de indecisos, para acirrar os ataques na reta final da campanha. Ambos deixaram de lado ontem as propostas de campanha e se aproveitaram de referências do passado para desqualificar o rival.

O debate de domingo refletiu uma corrida que vem se tornando cada vez mais acalorada e com base em ataques pessoais.

Humala, ex-oficial do Exército e esquerdista, fez questão de ressaltar que Keiko foi a "primeira-dama" do pai, Alberto Fujimori, e recebeu dinheiro de pessoas investigadas por narcotráfico durante sua campanha eleitoral para deputada em 2006. Naquele ano, a candidata admitiu ter recebido dinheiro da irmã de um homem processado por supostamente contrabandear cocaína para a Colômbia.

Keiko, por sua vez, acusou Humala de mudar várias vezes seu plano de governo original, de subornar testemunhas em um antigo processo por suposta violação de direitos humanos e de tentar dar dois golpes de Estado quando era militar. "Tenho apenas um plano de governo e você tem quatro planos. E já tentou dois golpes de Estado", afirmou. A candidata ainda começou sua fala na língua quíchua e se despediu em linguagem de sinais para surdos-mudos.

Humala mudou seu plano original de governo, de forte presença estatal, por outro mais conservador. Em 2000, ele liderou uma levante militar pelo qual foi processado e depois indultado.

No momento mais tenso do debate, Humala questionou a rival sobre sua passividade quando foi primeira-dama, durante o governo do pai, contra a esterilização forçada de 3 mil camponesas. Há uma investigação em andamento sobre o caso. Keiko respondeu que Humala tentava confundir os eleitores.

Empate. Uma pesquisa da Ipsos/Apoyo mostrou Keiko com 50,5% dos votos válidos, e Humala com 49,5%. Segundo a empresa Imasen, Humala tem 50,8% das intenções de voto e Keiko, 49,2%. / AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.