AP Photo/Martin Mejia
AP Photo/Martin Mejia

Keiko Fujimori diz que nunca recebeu dinheiro da Odebrecht e pede arquivamento da investigação

Procurador interrogou Jorge Barata, ex-chefe da empreiteira no Peru, sobre contribuições à filha de Alberto Fujimori e, segundo jornal, a empresa ‘contribuiu com US$ 1,2 milhão à campanha presidencial’ dela em 2011

O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 09h18

LIMA - Keiko Fujimori, filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, pediu na quarta-feira 28 o arquivamento da investigação contra ela por supostamente ter recebido dinheiro da empreiteira brasileira Odebrecht para financiar sua campanha eleitoral de 2011.

+ Campanha de presidente peruano usou caixa 2 da Odebrecht, diz delator

+ Filho de Fujimori rompe com oposição e anuncia apoio ao presidente do Peru

Keiko reiterou que nunca recebeu dinheiro da Odebrecht, depois que um ex-encarregado da companhia entregou seu depoimento ante procuradores peruanos em São Paulo. "Quero ratificar a vocês o que disse muitas vezes: não recebi dinheiro de Marcelo Odebrecht, nem de sua empresa e, fique bem claro, que tampouco do senhor Jorge Barata", afirmou ela.

+ Lourival Sant'Anna: A corrupção e a democracia no Peru

O procurador peruano José Domingo Pérez interrogou na quarta-feira Barata, ex-chefe da Odebrecht no Peru, sobre contribuições à filha do ex-presidente Alberto Fujimori, um dia depois que outro procurador o interrogou sobre doações ao ex-presidente Ollanta Humala.

Os procuradores não revelaram o conteúdo dos interrogatórios, mas o jornal El Comercio publicou em seu site que "Barata detalhou que a Odebrecht contribuiu com US$ 1,2 milhão à campanha presidencial de Keiko Fujimori em 2011".

Entretanto, Keiko afirmou que "o senhor Barata assinalou que nunca lhe solicitei dinheiro, que nunca me entregou dinheiro e nunca falou de apoio econômico algum comigo". "Espero que, depois destas declarações, a investigação contra a minha pessoa seja arquivada de uma vez por todas.”

A promotoria do Peru abriu uma investigação sobre Keiko e a Força Popular por um suposto crime de lavagem de dinheiro após encontrar nas anotações de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora, uma frase que dizia "Aumentar Keiko para 500 e fazer visita". Na segunda-feira, um tribunal peruano negou o pedido de Keiko e de seu marido para que a Procuradoria fechasse a investigação contra eles.

Em seu depoimento para promotores peruanos em São Paulo, Barata ratificou que sua empresa repassou dinheiro para financiar as campanhas eleitorais de políticos peruanos como Keiko Fujimori, Alan García, Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Susana Villarán, além de contratar palestras do presidente Pedro Pablo Kuczynski.

O caso Odebrecht no Peru foca em traçar o rastro dos subornos pagos a funcionários entre 2005 e 2014 para garantir contratos milionários em obras públicas, período que compreende os mandatos presidenciais de Toledo (2001-2006), García (2006-2011) e Humala (2011-2016), além das supostas doações a campanhas eleitorais dos principais líderes políticos.

A Odebrecht informou, em nota, que colabora com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. “(A Odebrecht) Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um acordo de leniência com as autoridades do Brasil, EUA, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala, e está comprometida a combater e a não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas.” / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.