Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Keiko Fujimori é detida por lavagem de dinheiro no Peru

Líder opositora e filha do ex-presidente Alberto Fujimori ficará detida preventivamente por 10 dias sob acusação de receber ilegalmente US$ 1,2 milhão da construtora brasileira Odebrecht para sua campanha presidencial em 2011

O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2018 | 13h27
Atualizado 10 Outubro 2018 | 16h58

LIMA - A líder oposicionista do Peru, Keiko Fujimori, foi detida nesta quarta-feira, 10, sob acusação de receber ilegalmente US$ 1,2 milhão da construtora brasileira Odebrecht. A decisão ocorre uma semana depois de a Justiça do país anular o indulto que tirou seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), da cadeia.

Keiko, filha mais velha de Fujimori, foi detida preventivamente depois de depor perante um juiz, informou a advogada Giuliana Loza, que qualificou de "atropelo e abuso" a decisão da Justiça. Keiko deve ficar detida por 10 dias.

O detenção ocorreu a pedido da procuradoria ao final da audiência de Keiko, de 43 anos, ao magistrado Richard Concepción Carhuancho. "Ela se colocou à disposição da procuradoria", disse a advogada.

A ordem de prisão contra a líder do partido Força Popular (direita populista) inclui também outras 19 pessoas, entre elas Jaime Yoshiyama e Augusto Bedoya, investigados por supostamente receberem fundos da construtora brasileira Odebrecht para a campanha presidencial de Keiko em 2011, quando ela foi derrotada por Ollanta Humala. 

O procurador que investiga casos de lavagem de dinheiro no Peru, José Domingo Pérez, atribuiu a Keiko a liderança de uma "organização criminosa" no interior de seu partido, que domina o Congresso peruano, por receber aportes ilícitos.

O pedido de prisão tem como base uma nova informação recebida pelo Ministério Público do Peru de sua contraparte brasileira que provaria que o partido de Keiko recebeu US$ 1,2 milhão de dólares em 2011.

"A prisão preventiva se produz em uma investigação, sem que ainda exista um processo, não corresponde a provas, mas sim à necessidade de realizar atos e investigações que só podem ser efetuados com o investigado detido", tuitou o advogado César Naksaki, ex-defensor de Alberto Fujimori.

Apoio de cúpula empresarial

Segundo o ex-diretor da Odebrecht em Lima, Jorge Barata, os dirigentes fujimoristas Yoshiyama e Bedoya foram os intermediários. Suas residências foram revistadas em março pelo MP peruano.

Barata confessou para procuradores peruanos em São Paulo que também tinha feito doações para as campanhas de outros candidatos em 2011: Ollanta Humala  (2011-2016), Alejandro Toledo (2001-2006) e Pedro Pablo Kuczynski. 

Todos os ex-presidentes do Peru e Keiko negaram ter recebido dinheiro da Odebrecht, empresa acusada de pagar propinas milhonárias para políticos e funcionários de governos de diferentes países da América Latina.

O ex-chefe da Odebrecht também disse que além do US$ 1 milhão entregue para Yoshiyama e Bedoya, fez outro aporte de US$ 200 mil para Keiko por meio da organização da cúpula dos empresários peruanos, a Confiep.

Esta organização do setor privado, que teria coordenado o recebimento de verbas de várias empresas para impedir sem sucesso a vitória de Humala em 2011, negou as declarações do ex-diretor da Odebrecht afirmando que " por ser uma agremiação empresarial, não apoia campanhas nem partidos políticos". / AFP

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