AP Photo/Rodrigo Abd
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Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski trocam acusações durante debate presidencial

Candidatos à presidência do Peru discutiram sobre supostos vínculos com corrupção e favoritismo empresarial

O Estado de S. Paulo

23 Maio 2016 | 14h33

LIMA - Os candidatos à presidência do Peru Keiko Fujimori e Pedro Pablo Kuczynski trocaram no domingo acusações sobre seus supostos vínculos com corrupção e favoritismo empresarial, respectivamente, durante o debate de planos de governo, que realizaram antes do segundo turno do dia 5 de junho.

O candidato do Peruanos pelo Kambio (PPK) disse que no Peru se tem que deixar de lado os esquemas do passado, a falta de transparência, a corrupção, todos os "castigos que deprimem o país". "Somos um país jovem, e sobre essa juventude temos que construir", disse Kuczynski.

Ele acrescentou que a descentralização, um dos temas do debate, surgiu em razão do "asfixiante centralismo" do governo de Alberto Fujimori (1990-2000), e nesse sentido propôs dotar de mais recursos as regiões.

"A senhora foi primeira-dama durante seis anos em um governo que destruiu muitas instituições no país. Sendo assim, como vamos promover infraestrutura? Temos que preservar as instituições", alfinetou o economista.

"Acredito que é fundamental combater a corrupção e qualquer nexo com o narcotráfico", acrescentou Kucyznski, também conhecido como PPK.

"O autogolpe dado em 92 provocou um autoritarismo desenfreado que terminou com a corrupção que todos conhecemos, nós vamos impedir isso, e promover a não prescrição dos crimes de corrupção", acrescentou.

Já a candidata da Força Popular lamentou que Kuczynski pense que está debatendo com seu pai. "Sou eu a candidata", reiterando seu dever com a democracia ao lembrar que assinou um compromisso de "nunca mais um dia 5 de abril", em alusão ao golpe de Estado dado por seu pai, Alberto Fujimori.

Keiko disse que seu plano nasceu após percorrer o Peru e escutar a população, enquanto o de seu oponente "é feito para defender os interesses dos grandes empresários e é elitista".

Ela afirmou que o candidato à vice-presidência do PPK, Martín Vizcarra, tem denúncias por suposta corrupção e apropriação de terrenos, diante de que Kuczynski respondeu que se tenta um "cuentazo", lembrando à ex-deputada que o secretário-geral de seu partido, Joaquín Ramírez, "é questionado" em processo há vários meses por lavagem de ativos e que não está resolvido.

Keiko afirmou que Kucyznski "entregou a dedo a exploração do gás" a um consórcio internacional, "pensando pouco nos interesses do país"

Kucyznski respondeu que foi o governo de transição (2000-2001), que assinou os contratos de exploração do gás de Camisea, antes da gestão de Alejandro Toledo (2001-2006) na qual foi ministro da Economia e acrescentou que é fundamental que não se fale da história "inventando coisas".

Outro tema de interesse no debate foi a menção de Keiko de que não não evitará declarar o estado de emergência em Lima para enfrentar a insegurança cidadã. "Tenho a decisão política para pôr ordem e será o primeiro passo para abrir as portas do desenvolvimento", afirmou. 

Keiko insistiu que "a segurança é fundamental para o desenvolvimento do país, devolver a tranquilidade às famílias e repotencializar a Polícia Nacional". Por sua vez, Kuczynski propôs melhores salários para os policiais e "reduzir o narcoestado que é a causa central do crime".

A filha de Alberto Fujimori propôs, além disso, fazer um "boom de infraestrutura social e produtiva" para melhorar a qualidade de vida das regiões, enquanto Kuczynski anunciou a criação de um banco de fomento para a mineração que assegure a proteção ambiental, assim como de um Ministério de apoio às regiões para reforçar a gestão em obras básicas. /EFE

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