Mariana Bazo/Reuters
Mariana Bazo/Reuters

Keiko Fujimori teria favorecido Odebrecht em votação de 2008

Revelação foi feita por uma jornalista peruano, que apresentou um documento que permitia ao governo aumentar o orçamento em US$ 600 milhões para a construção de uma rodovia pela empreiteira

O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2017 | 03h42

LIMA - Keiko Fujimori, líder do partido opositor Força Popular no Peru, votou em 2008 a favor de um relatório legislativo que supostamente beneficiou a construtora brasileira Odebrecht. A revelação foi feita nesta terça-feira, 19, em um programa jornalística local. A jornalista Milagros Leiva, âncora do programa Todo se Sabe na emissora RPP Notícias, mostrou uma cópia do documento que permitiu que o governo peruano concordasse em aumentar o orçamento em US$ 600 milhões para que a empreiteira construísse a Rodovia Interoceânica Sul.

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Leiva acrescentou que esse documento foi aprovado em uma comissão legislativa que investigou os contratos para a construção da rodovia depois de receber um pedido do então presidente Alan García (2006-2011). Afirmou ainda que, ao concluir a investigação, a comissão apresentou um "certificado de boa conduta" para a Odebrecht com votos a favor de Keiko Fujimori, que à época era legisladora.

De acordo com a revelação, o relatório foi assinado pelo presidente do grupo de trabalho, o então fujimorista Renzo Reggiardo, quem supostamente se opôs à aprovação, porque a comissão não havia feito uma investigação profunda do tema.

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O partido Força Popular é um dos principais patrocinadores de um pedido de destituição do presidente Pedro Pablo Kucyznski por "incapacidade moral permanente" por supostamente ter se relacionado com a Odebrecht e recebido dinheiro da empresa. O porta-voz do partido no Congresso, Daniel Salaverry, afirmou em uma declaração pública que existe uma "campanha midiática e de mentiras" contra o fujimorismo para afirmar que a eventual destituição de Kucyznski é um atentado contra a democracia do país.

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Salaverry disse também que receberam informações, de fontes que ele não especificou, de que se estaria tentando "semear provas" em seus apoiadores locais para justificar um pedido de detenção preventiva contra Keiko. A líder opositora deve se apresentar nesta quarta-feira, 20, diante do Escritório de Lavagem de Ativos, que investiga o suposto financiamento irregular de suas campanhas eleitorais de 2011 e 2016.

O Congresso peruano escutará nesta quinta-feira, 21, a defesa do atual presidente devido ao pedido de destituição promovido pela oposição. /EFE

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