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REUTERS/Alessandro Cinque
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Keiko insiste em fraude na reta final da apuração

Resultado é irreversível, mas anúncio oficial só será feito após análise de votos com problemas ou com pedido de impugnação

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2021 | 21h28

LIMA - A candidata conservadora Keiko Fujimori insistiu neste sábado (12) que houve “fraude” na eleição presidencial do Peru realizada há uma semana, enquanto a contagem avança lentamente em sua reta final, e é liderada pelo esquerdista Pedro Castillo por cerca de 50 mil votos, cuja vitória é irreversível. Keiko quer a impugnação de 200 mil votos. 

“Há fraude na mesa, manipulação na mesa. Há acontecimentos gravíssimos nesta última etapa” da contagem de votos, disse Keiko, sem apresentar evidências contundentes de suas alegações, em entrevista à imprensa estrangeira. 

De acordo com a candidata, o Peru Livre estaria manipulando as atas, o que poria em dúvida a credibilidade do pleito – alegações similares às que fez há cinco anos, quando foi derrotada por Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018). Observadores internacionais, no entanto, dizem não ter observado quaisquer sinais de irregularidades.

“Vou reconhecer os resultados, mas temos de esperar o fim”, prometeu, insistindo que irregularidades teriam favorecido seu adversário, professor de uma escola rural de Cajamarca (norte).

Analistas acreditam que, diante do que parece ser uma vitória iminente de Castillo, Keiko tenta lançar dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral para não parecer derrotada e não ver sua liderança política reduzida. “Ela busca se apegar ao discurso da fraude para não derrubar tudo o que fez. É a maneira de se livrar do fracasso, da queda”, disse o analista Hugo Otero, que foi assessor do ex-presidente Alan García.

A líder do partido Força Popular e filha do ex-presidente preso Alberto Fujimori foi derrotada por Ollanta Humala no segundo turno das eleições presidenciais de 2011. Em 2016, perdeu para Kuczynski.

“Não há vencedores ou perdedores aqui”, disse Keiko, que garantiu que a “esquerda internacional está intervindo” nas eleições no Peru, referindo-se aos cumprimentos que Castillo recebeu de importantes líderes latino-americanos, incluindo o presidente argentino, Alberto Fernández, e o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. “Vimos a saudação do presidente Fernández”, lamentou a candidata de 46 anos.

Diante das saudações do exterior, o governo peruano “foi obrigado” a entregar notas de protesto aos embaixadores desses países, informou a chancelaria. 

“Se vencermos, espero que eles (os partidários de Castillo) se aproximem. Vamos construir pontes assim que o resultado acabar”, afirmou Keiko, manifestando esperança de reverter o resultado. 

Castillo tem uma vantagem de 49.710 votos, com 99,92% das mesas apuradas, mas o Júri Eleitoral Nacional (JNE), órgão que analisa o processo e proclama o vencedor, ainda não decidiu sobre os pedidos de contestação de milhares de votos, especialmente feitos por Keiko. O prazo para contestação expirou na quarta-feira e a candidata conservadora conseguiu apresentar apenas parte das cédulas que queria que fossem anuladas, segundo a mídia local.

Keiko criticou o JNE por não permitir a contestação dos votos apresentada fora do prazo. O órgão concordou em estender o prazo por dois dias na sexta-feira, mas depois recuou.

De acordo com o relatório divulgado ontem pelo órgão eleitoral (ONPE), Castillo tem 8.832.296 votos e Keiko, 8.782.586. Em porcentagem de votos válidos, o candidato do partido Peru Livre tinha conquistado 50,14% dos votos e a candidata do partido Força Popular, 49,85%.

A pequena porcentagem que ainda falta para ser contabilizada é referente a 95 atas que devem ser revisadas pelo JNE por apresentar algum erro material, impugnação ou falta de assinatura, entre outros problemas. Mas o JNE não proclamará o vencedor até que sejam revisados os pedidos de anulação de atas apresentados, em sua maioria, por Keiko. Especialistas em temas eleitorais dizem que esse processo pode levar uma ou duas semanas.

Indulto. 

Keiko prometeu indulto a seu pai, que cumpre pena de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, mas esclareceu ontem que ele não seria membro de seu eventual governo. “Meu pai não será funcionário se vencermos”, afirmou.

Ela também criticou o presidente em final de mandato, o centrista Francisco Sagasti, que na quinta-feira telefonou a várias pessoas de ambos os lados para acalmar a situação, incluindo o escritor peruano e Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa. “Ficou demonstrado que o presidente Sagasti está interferindo”, disse a candidata. O premiado escritor de 85 anos, que vive na Espanha, tem apoiado Keiko ativamente, apesar de ter sido antifujimorista no passado.

Ameaça de prisão. 

Se for derrotada, Keiko corre o risco de ir para a prisão. Na quinta-feira, um procurador pediu a prisão preventiva de Keiko por suposta violação das regras de sua liberdade condicional no caso da construtora brasileira Odebrecht, pela qual ficou presa por 16 meses. O pedido deve ser decidido por um tribunal em 21 de junho.

O procurador José Domingo Pérez, integrante da equipe especial da Lava Jato peruana, acusou Keiko de ter se reunido indevidamente com uma testemunha do caso Odebrecht. Na entrevista coletiva que Keiko concedeu na quarta-feira, apareceu ao lado de Miguel Torres Morales, que é testemunha de acusação fiscal no caso Odebrecht. Segundo pessoas próximas a Keiko, Torres Morales se tornou um porta-voz da campanha desde que ela passou para o segundo turno, mas há são amigos. / AFP e EFE

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