Kelpers adotam todos os simbolismos britânicos

Tudo na capital das Ilhas Malvinas remete à Grã-Bretanha - da mão de direção ao chá das 5 e às caixas de correio

SOLLY BOUSSIDAN , ESPECIAL PARA O ESTADO /, PORT STANLEY, MALVINAS, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2012 | 03h05

Chegar às Malvinas não é tarefa simples nem barata. Apesar de estar a 500 quilômetros do continente, há apenas um voo regular semanal que parte do Chile, além de voos infrequentes da Força Aérea britânica desde uma base próxima à cidade de Oxford. A chegada a Port Stanley é repleta de simbolismos - bandeiras britânicas e do território tremulam de forma prolífica sem deixar qualquer dúvida sobre o orgulho patriótico dos moradores locais.

Um pub é o primeiro estabelecimento comercial visível para quem desembarca no porto. Ao seu lado, uma caixa postal vermelha, típica da Grã-Bretanha, também saúda os que chegam.

A cidadezinha tem pouco mais de 2 mil habitantes e é cortada por uma avenida de cerca de três quilômetros com jardins bem cuidados, casas tipicamente europeias, igrejas protestantes, cabines telefônicas idênticas às de Londres, além de pelo menos três memoriais comemorando a vitória da Grã-Bretanha na guerra contra a Argentina.

A identidade britânica é parte essencial da vida nas ilhas e ninguém nem sequer cogita a possibilidade de romper os vínculos com a Grã-Bretanha - seja para tornar-se parte da Argentina, seja para obter a independência.

Em muitos aspectos, as Malvinas parecem tornar real todos os estereótipos clássicos do modo de vida britânico. Para quem já esteve na Grã-Bretanha, o território transmite a surreal percepção de ser mais britânico do que o próprio país europeu: o chá das cinco é um ritual em Port Stanley, assim como os maneirismos de civilidade. Dezenas de Land Rovers, dirigidos na mão esquerda das ruas, dão um ar urbano à pacata capital, enquanto a efígie da rainha Elizabeth II estampa selos e o dinheiro local (a libra esterlina das Malvinas, de valor idêntico à moeda britânica).

As placas nas ruas, o sistema de saúde e de governo, além do sotaque - tudo remete à Grã-Bretanha. Praticamente tudo é importado da Europa, com exceção de legumes, frutas e hortaliças, que chegam da América do Sul. Com a iniciativa argentina de dificultar a chegada de navios às ilhas, as maçãs estão mais caras e o preço da banana triplicou - cada unidade custa R$ 3,50.

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