Ernesto Arias /EFE
Ernesto Arias /EFE

Filho mais novo de Fujimori é expulso de partido por discordar da irmã Keiko

Discordâncias entre os irmãos se acentuaram quando Kenji Fujimori decidiu apoiar um indulto a seu pai, contra a opinião de sua irmã, que buscava uma via judicial para libertar o ex-presidente

O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 03h00
Atualizado 31 Janeiro 2018 | 09h00

LIMA - Kenji Fujimori, o filho mais novo do ex-presidente indultado do Peru, Alberto Fujimori, anunciou na terça-feira 30 que a bancada do partido Força Popular o expulsou por discordar da líder do grupo, sua irmã Keiko.

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"Foi resolvido por unanimidade expulsar o congressista Kenji Fujimori do Grupo Parlamentar Força Popular", indicou o próprio legislador em sua conta do Twitter, na qual publicou parte da resolução partidária.

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O Força Popular (FP) iniciou no fim de dezembro um processo por indisciplina partidária contra o irmão de Keiko Fujimori, por ele ter criticado sua posição em relação ao atual presidente, Pedro Pablo Kuczynski, e não ter apoiado a destituição do líder que o Congresso, onde o FP tem maioria, debateu no dia 21 de dezembro.

O voto de Kenji Fujimori e de outros nove integrantes da bancada do FP evitaram a destituição de Kuczynski, o qual o partido de Keiko acusava de mentir em um caso de suposta corrupção por assessoria à construtora brasileira Odebrecht.

As discordâncias entre os dois irmãos se acentuaram quando Kenji decidiu apoiar um indulto a seu pai, contra a opinião de sua irmã, que buscava uma via judicial para libertar o ex-presidente Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por violações aos direitos humanos e corrupção.

Kuczynski indultou Fujimori na véspera do Natal e foi acusado de negociar com Kenji para evitar sua destituição. Ambas as partes negaram qualquer acordo. Em novembro, o filho de Fujimori tinha sido suspenso por 120 dias por discordar publicamente de seu partido. Ele foi o congressista que obteve o maior número de votos nas últimas eleições, realizadas em 2016.

O FP também expulsou os congressistas Bienvenido Ramírez e Maritza García, que pertencem à corrente liderada pelo filho mais novo do ex-presidente Fujimori.

"Já se esperava por isso. Não gostam nem aceitam que lhes refutem. O abuso, arbitrariedade e autoritarismo do FP é evidente e vamos combater isso", reagiu a congressista Maritza no Twitter.

Citada pela edição virtual do jornal El Comercio, ela afirmou que não recorrerão da decisão da bancada do FP e cumprirão um acordo interno segundo o qual 10 congressistas dissidentes aceitam se retirar caso expulsem um deles. / AFP

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