Kennedy desiste de ocupar vaga do tio

Vínculo com Chávez leva filho de Bob a abandonar corrida pelo Senado

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

O ex-congressista Joseph Kennedy II anunciou ontem que não vai se candidatar à vaga no Senado deixada por seu tio Ted Kennedy, que morreu no mês passado. Joe Kennedy, de 56 anos, é filho mais velho de Robert Kennedy e era considerado o favorito, caso se candidatasse ao Senado pelo Estado de Massachusetts, principal reduto dos Kennedys.

Mas questionamentos sobre suas ligações com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, o impediram de tentar manter a dinastia da família no Senado.

Joe é presidente da Energy Citizens, uma entidade sem fins lucrativos que distribuiu óleo para aquecimento a preços reduzidos para 200 mil famílias carentes em 23 estados.

O óleo é doado pela Citgo, uma subsidiária da empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA). "Meu pai dizia que a política era um profissão honrada e eu tenho profundo respeito por aqueles que lutam pelas causas da justiça social e econômica em um cargo eletivo", declarou Joe Kennedy.

"Mas depois de pensar muito, decidi que a melhor maneira para eu contribuir para essas causas é continuando com meu trabalho na Citizens Energy", disse Joe, em uma nota divulgada ontem.

Seu pai, Robert Kennedy, secretário de Justiça e depois senador, foi assassinado em 1968 nas primárias no Estado da Califórnia. Ele era irmão de John Fitzgerald Kennedy, ex-presidente dos EUA que também foi assassinado.

Joe serviu no Congresso entre 1987 e 1999. Ele já protagonista de vários anúncios na TV e escreveu editoriais defendendo seu uso do "petróleo de Chávez".

Mas os políticos conservadores não desistiram de suas críticas contra Kennedy, a quem acusam de ser aliado de um "inimigo declarado dos EUA, o petroditador Hugo Chávez".

"Ele não apenas defende um inimigo declarado dos Estados Unidos, com está desavergonhadamente polindo sua imagem aqui na América, usando os recursos do inimigo", dizia um editorial do jornal conservador Washington Examiner na semana passada.

Kennedy afirmava que essas acusações eram hipócritas, já que quase todo mundo na Costa Leste usa petróleo importado da Venezuela. Apesar do turbulento relacionamento entre Washington e Caracas, a Venezuela é o quarto principal fornecedor de petróleo para o mercado americano.

"Alguns dizem que é errado usar petróleo de Hugo Chávez. Mas o que considero errado é o que está acontecendo com a família Fitz", dizia ele em um anúncio da Energy Citizens, referindo-se a uma família carente beneficiada pelo programa.

Com a retirada de Joe da disputa, o Estado de Massachusetts deve ficar sem um Kennedy no Senado pela primeira vez em quase 50 anos.

A posição no Senado ficou vaga no dia 25, com a morte de Ted, em decorrência de câncer no cérebro. A eleição especial para preencher a vaga está marcada para 19 de janeiro, embora legisladores democratas queiram antecipá-la ou indicar um substituto temporário. A viúva de Ted, Victoria, já declarou que não quer concorrer ao Senado.

O filho de Ted, o congressista Patrick, também não. Até agora, a procuradora-geral Martha Coakley foi a política mais destacada a anunciar publicamente a candidatura ao Senado. Com a desistência de Joe Kennedy, outros deputados devem vir a público.

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