Kerry aceita Teerã em reunião de paz sobre guerra síria

Chefe da diplomacia americana abre caminho para participação limitada do Irã em conferência marcada para o dia 22 em Genebra

O Estado de S.Paulo,

05 de janeiro de 2014 | 21h08

JERUSALÉM - O secretário de Estado americano, John Kerry, aceitou neste domingo, 5, a participação do Irã na negociação de paz sobre a guerra civil síria, que deve ocorrer em Genebra no fim do mês. O comentário de Kerry, em Israel, foi o primeiro de uma autoridade americana indicando que os iranianos deveriam ser convidados para a conferência, marcada para o dia 22.

A Rússia e o enviado especial das Nações Unidas para a Síria, Lakhdar Brahimi, defendiam a participação do Irã na conferência de Genebra, mas a ideia vinha sendo rejeitada por França, Arábia Saudita e – até a fala de Kerry – pelos EUA. O chefe da diplomacia americana sugeriu que Teerã não seria protagonista ou um participante formal na negociação, mas poderia ajudar no processo.

“Eles poderiam participar estando do lado de fora? Existem formas para que eles possam opinar? Poderia a missão que eles já têm em Genebra ajudar no processo? Pode ser que haja formas de isso acontecer”, completou.

Os EUA vinham rejeitando uma participação do Irã porque Teerã ainda não apoiou publicamente os princípios de uma conferência de paz anterior, que pediu um governo de transição na Síria. “O Irã poderia facilmente participar se simplesmente aceitasse publicamente a premissa da primeira conferência em Genebra e na qual a segunda conferência tem base, que é de um governo de transição”, disse Kerry.

A Coalizão Nacional Síria, principal grupo de oposição do país, é contrária a participação do Irã. O grupo recusou-se a colocar o tema na agenda de uma conferência preparatória que ocorre em Istambul, na Turquia.

Combates.Combatentes leais à Al-Qaeda, integrantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL, na sigla em inglês) – grupo que tem conquistado posições no território iraquiano – perderam terreno perto da fronteira com a Turquia nesta quinta-feira, 5, segundo rebeldes que tentam derrubar o ditador Bashar Assad. O confronto entre o ISIL e outros grupos opositores islamistas na Síria deixou pelo menos 59 mortos nesta quinta-feira, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), grupo ligado aos rebeldes, com sede em Londres, que conta as vítimas do conflito.

Segundo a organização, nove dos mortos eram membros do ISIL, enquanto o restante era de combatentes de outros grupos islamistas, como a Frente Al-Nusra e a Frente Islâmica Síria (FIS).

Os conflitos começaram na região em junho, quando a Frente Al-Nusra, também vinculada à Al-Qaeda, foi designada pelo líder da organização terrorista, Ayman al-Zawahiri, como a única facção na Síria, recomendando ao ISIL que limitasse suas ações ao território iraquiano. A decisão causou tensão entre os dois grupos, aumentada nos últimos meses.

O ISIL assumiu no sábado a responsabilidade de um atentado suicida no reduto do Hezbollah no sul de Beirute que matou pelo menos cinco pessoas na quinta-feira, entre elas, a brasileira Malak Zahwe, de 17 anos, e sua madrasta.

O Hezbollah, assim como o Irã, apoia a permanência de Assad no poder, enquanto os grupos radicais sunitas aproveitam a guerra civil síria para tentar fundar um Estado islâmico na região. / REUTERS e EFE

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