Kerry alerta sobre armas químicas na Síria

Substituto de Hillary no Departamento de Estado passa por sabatina no Senado

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2013 | 02h04

Ao defender ontem sua nomeação como secretário de Estado dos EUA diante do Congresso, o senador democrata John Kerry disse que a diplomacia americana não pode ser definida apenas por intervenções militares. Aos membros do Comitê de Relações Exteriores, órgão que presidiu nos últimos três anos, Kerry sublinhou seu temor de um esfacelamento do Estado e do destino de armas químicas na Síria, além dos riscos no Afeganistão.

O senador afirmou que cabe ao Irã provar que seu programa nuclear é pacífico, o que pode ser feito por meio de inspeções mais intrusivas nas instalações. Avisou que o governo de Barack Obama prefere a solução diplomática e sua política para esse tema não é de contenção, mas de prevenção. "O relógio está andando", avisou.

A abordagem de todos esses temas, sustentou Kerry, terá repercussão nas negociações de paz entre israelenses e palestinos. O provável futuro secretário de Estado afirmou que o resultado da eleição em Israel, na terça-feira, permitirá a retomada das conversas e, portanto, a viabilidade da chamada solução dos dois Estados

"A política externa americana não é definida apenas por drones e intervenções. É definida também pela segurança alimentar e energética, pela assistência humanitária, pelo combate a doenças e pela ajuda ao desenvolvimento, assim como por qualquer iniciativa contra o terrorismo", afirmou Kerry. O Brasil foi mencionado apenas uma vez por Kerry, quando ele falou de parcerias no setor de energia.

Aos 69 anos, dos quais 29 no Senado, Kerry submeteu-se ao questionamento obrigatório do comitê ciente de não haver hipótese de veto à sua nomeação como secretário de Estado. Ele foi a segunda escolha do presidente Obama. A primeira, Susan Rice, embaixadora dos EUA na ONU, não chegou a ser submetida ao Senado diante da inevitável rejeição. O senador substituirá Hillary Clinton, apontada como potencial candidata à sucessão de Obama, em 2016.

Em debate com o republicano John McCain, Kerry indicou que não mudará a atual abordagem dos EUA em relação à Síria. Washington tem atuado em conformidade com o Conselho de Segurança da ONU, onde China e Rússia se opõem a ações militares. Ele completou que a implosão do Estado sírio pode desencadear um conflito mais difícil de ser aplacado e lembrou haver naquele país uma enorme diversidade de grupos étnicos e religiosos. "E há grande risco com respeito às armas químicas (caírem em mãos erradas)", disse.

Kerry concordou com o alerta de Hillary sobre a migração de membros da Al-Qaeda do Afeganistão e Paquistão para o Norte da África, enquanto o núcleo da organização tem sido perseguido pelos EUA. Mas, ao tratar do ataque ao consulado americano em Benghazi, Kerry contrariou Hillary. Ela afirmara no dia anterior ao mesmo comitê que "não faz diferença" saber agora como ocorreu o episódio. Kerry disse que os senadores têm o direito de receber as respostas.

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