Kerry assume como chefe da diplomacia americana

John Kerry, senador por 29 anos por Massachusetts, assumiu ontem a diplomacia dos EUA com um desafio adicional ao da agenda de Hillary Clinton, sua antecessora. Ele terá de lidar com a diáspora da Al-Qaeda pelo Norte da África e seu novo front, no Mali, em tempos de orçamento curto e de oposição do governo de Barack Obama a novas guerras.

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2013 | 02h05

Kerry inaugurou sua passagem pelo Departamento de Estado com a explosão na embaixada em Ancara. Entre os maiores problemas, a guerra civil síria continuará a ser o imbróglio mais delicado. O risco de armas químicas caírem em mãos da Al-Qaeda é grande e foi reforçado pelo próprio Kerry na semana passada.

A difícil relação com a China, fonte de ciberataques e de ameaças a aliados americanos na Ásia, e as negociações fracassadas com o Irã em torno de seu programa nuclear também pesarão em sua nova rotina.

A pressão da Casa Branca por um novo esforço de diálogo entre israelenses e palestinos, mediado pelos EUA, será constante. Obama não quer deixar o governo sem ver seu nome dentro da lista de maiores líderes americanos. A política externa, mais do que a economia, tende a ser o caminho para se cumprir essa ambição. A diplomacia, entretanto, mostrou-se menos eficaz para se lidar com ameaças diluídas, como a Al-Qaeda, do que o poder militar e de inteligência.

Kerry não deu declarações ontem, mas antecipou suas prioridades na sua sabatina no Senado, na semana passada. "A política externa americana não é definida apenas pelos drones nem pelo envio de tropas. É definida também pela segurança alimentar e energética, pela assistência humanitária, pelo combate a doenças e pela ajuda ao desenvolvimento, assim como por qualquer iniciativa contra o terrorismo", disse.

Apoio. Obama firmou esta semana um acordo militar com o Níger, país vizinho do Mali. O Pentágono prepara-se para montar uma base de operação de drones na região. A retirada de tropas no Afeganistão pode vir associada ao envio de soldados para o Norte da África. O Departamento de Estado terá de enfrentar a oposição e as reações a tais iniciativas. / D.C.M.

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