Kerry cancela retorno aos EUA e permanece em negociações com Irã

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, cancelou seu retorno aos Estados Unidos para permanecer em negociações sobre o programa nuclear do Irã, que acontecem na Suíça. A decisão foi divulgada em meio a sinais de que as reuniões chegaram a um impasse, poucos dias antes do prazo final de 31 de março estabelecido para que se chegasse a um acordo preliminar.

Estadão Conteúdo

29 Março 2015 | 09h17

Kerry participa de reuniões com o ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, desde quinta-feira. Ontem, ministros da França e da Alemanha chegaram a Lausanne, e autoridades da Inglaterra, da China e da Rússia devem se juntar ao grupo ainda hoje.

O acordo preliminar deverá abrir caminho para uma nova rodada de negociações, com o objetivo de impor restrições de longo prazo às atividades nucleares do Irã, em troca da redução de sanções ao país.

Autoridades de países ocidentais afirmaram que as negociações estão avançando em relação aos limites ao programa de enriquecimento de urânio. Entretanto, o país estaria relutante quanto ao tempo em que terá que limitar o uso dessa tecnologia. Com o enriquecimento de urânio, é possível produzir material para usos na medicina, pesquisas científicas e geração de energia, mas também para a construção de uma bomba atômica. Nas últimas semanas, o Irã teria modificado sua demanda de manter 10 mil centrífugas para 6 mil centrífugas de enriquecimento de urânio, e agora o país pode aceitar reduzir ainda mais esse número. O governo de Teerã também estaria disposto a enviar todo o urânio enriquecido produzido para a Rússia.

Os Estados Unidos e outros países aliados buscam um acordo para aumentar o tempo que o Irã levaria para produzir armas nucleares, dos atuais dois a três meses para pelo menos um ano, por no mínimo uma década. O ponto de maior discórdia seria a duração das restrições. O Irã estaria pedindo que todas as restrições fossem retiradas após dez anos, enquanto os demais países insistem na remoção progressiva.

O limite à pesquisa e desenvolvimento de novas centrífugas é outro ponto de atrito, afirmaram as fontes. O Irã criou um protótipo que é capaz de enriquecer o urânio 16 vezes mais rápido que o modelo atual. Os EUA querem restringir a pesquisa, uma vez que a adoção da nova tecnologia iria aumentar a velocidade em que o país poderia produzir matéria-prima suficiente para a fabricação de uma bomba, assim que as restrições fossem encerradas. Fonte: Associated Press.

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